quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Os ventos de Iansã - por Douglas Fersan


Raios e mais raios caíam do céu.

Alguns se assustavam - afinal um raio pode causar estragos inomináveis. As nuvens de chumbo davam ao céu um tom diferente daquele costumeiro azul de verão. Percebi que as pessoas apertavam o passo rumo ao seu destino, temiam que um temporal caísse. Muitos maldiziam a variação do tempo: "como pode fazer um sol escaldante de manhã e à tarde caírem tantos raios e trovoadas, prenunciando a chuva?"

Começaram as primeiras gotas de chuva. Aliás, chamar aquilo de gotas era um eufemismo, já que eram enormes.  As pessoas se amontaram nas marquises dos prédios, evitando se molhar. A maioria demonstrava contrariedade com a mudança repentina do tempo.

Foi quando uma senhora, já de certa idade, ao perceber um relâmpago, resmungou baixinho: "Eparrey Iansã".  Olhei para seu rosto e nossos olhares se cruzaram. Esbocei um leve sorriso, talvez imperceptível e percebi que ela fez o mesmo. Foi o mesmo para que entendêssemos que havia uma concordância ali.

Reclamamos tanto do calor escaldante, do tempo seco, do mal estar que a alta temperatura causa... e eis que quando o tempo se manifesta através dos raios, da chuva e dos ventos, nos colocamos a reclamar.

Percebemos a presença dos sagrados orixás nos mais sutis detalhes do dia a dia. O próprio temperamento de Iansã na situação narrada acima é uma prova disso.  Assim é a orixá das nuvens de chumbo, dos raios e da tempestade.  Diante de uma situação que nos incomoda, que nos causa desconforto ou inquietação, ela se manifesta e, de uma forma que nem sempre entendemos, coloca ordem em nossas vidas.

Assim como o calor escaldante nos incomodava, com seus raios e relâmpagos ela nos anunciou a chuva que viria refrescar o dia, aumentar a umidade do ar e nos trazer algum conforto.  Nem sempre entendemos a forma como Deus e os orixás agem em nossa vida, mas eles sempre estão presentes.

Assim como a chuva inicialmente causou um desconforto, mais tarde percebemos que nos proporcionou um alívio. Assim é Iansã: intempestiva. Nem sempre compreendemos a sua natureza, as suas ações, mas como todos os orixás, trabalham sempre em nosso favor.

Eparrey Iansã.
Salve todos os orixás e mão Divina, que nem sempre compreendemos, mas que sempre faz o que necessitamos.

Douglas Fersan
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Metamorfosear-se é preciso - por Douglas Fersan


Metamorfosear-se é preciso.
Vestimos branco, adentramos um templo de Umbanda, saudamos a tronqueira, o congá, cumprimentamos os irmãos-de-fé. Procuramos fazer o melhor que podemos e entregar o que de melhor possuímos em termos morais e espirituais. Enfim, fazemos nossa parte, praticamos a caridade, como manda a nossa religião. Dedicamos um tempo a auxiliar os aflitos que nos procuram.

E quanto a nós, será que dedicamos um tempo a nos ajudar?
Não se trata aqui de ajudar no sentido de resolver os problemas do dia-a-dia, sejam financeiros, amorosos, de trabalho... Será que ajudamos a nossa própria caminhada?
Será que lembramos de refletir os próprios atos e de promover a nossa evolução.

Todos os dias vivemos uma situação outra, algumas benignas, outras adversas, das quais podemos tirar uma lição. A vida é dinâmica e está constantemente a nos mostrar situações com as quais podemos refletir a própria existência. Uma existência sem aprendizado é uma existência vã.  É preciso transformar-se um pouco a cada dia, é preciso ser melhor a cada dia.

Somos lagartas feias e rastejantes que recebem a imensa oportunidade de entrar no casulo da vida e ali promovermos a própria metamorfose. Mas ela só ocorrerá se tivermos uma pré-disposição para que ela aconteça.  De nada vale frequentar templos religiosos se não temos a disposição de mudar. Mesmo que pratiquemos a caridade, não atingiremos o objetivo da vida se não estivermos dispostos a mudar para melhor.

Que continuemos frequentando cada um o seu templo religioso, mas antes disso, que estejamos dispostos a seguir a estrada da evolução, que nos levará adiante, pois se a vida é dinâmica nós não podemos ser estáticos.

Douglas Fersan
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ervas na Umbanda: Alecrim: fonte de equilíbrio e harmonia - por Douglas Fersan


Usado desde tempos imemoriáveis, o alecrim é uma poderosa fonte de equilíbrio e harmonia. Tanto que seu uso é quase obrigatório nos rituais de defumação na Umbanda, agindo diretamente contra larvas astrais e energias indesejadas.  Ainda e forma de defumação, recomenda-se queimar seu caule em ambientes onde permaneçam pessoas doentes, trazendo assim benefícios para o seu tratamento.

É uma erva dos orixás Oxalá, Oxóssi, Ogum e Iemanjá.  Os banhos com alecrim são indicados para recuperar e equilibrar as energias, tendo grande poder rejuvenescedor, por isso são recomendados para casos de depressão e problemas ligados ao emocional. Também é um poderoso estimulante, sendo indicado para pessoas que precisam recuperar ou adquirir coragem para enfrentar desafios.

Usada debaixo do travesseiro proporciona sono tranquilo e afasta pesadelos. No campo espiritual afasta energias, magia negra e ajuda a desenvolver a mediunidade.

Douglas Fersan
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Reencarnação: ordem lógica da vida - por Douglas Fersan


Evoluir moral e espiritualmente: qual seria o grande objetivo da vida se não esse?
Seríamos meros fantoches de Deus, colocados num palco de provações, se não tivéssemos algum objetivo, portanto acreditar que a vida na Terra existe para que possamos colher algum fruto moral dela, é compreender a lógica divina. Caso contrário, de nada valeria viver nesse mundo, que certamente nos trás muitas alegrias, mas tem seus momentos de provação e é principalmente deles que tiramos as mais preciosas lições.

Assim sendo, o mundo, tal como conhecemos, é uma grande escola. Mas como pedagogo pergunto: de que vale uma escola que dá uma oportunidade aos seus alunos?  É justa uma escola que exclui os reprovados? E que não exclui, mas os pune cruelmente?

Acredito que todos concordamos que aos seres em aprendizado é necessário dar oportunidades de recomeçar, de reaprender, de avaliar as próprias atitudes a partir do erro para construir o acerto. Dessa forma, a escola da vida estaria fora da sintonia moral que acreditamos se uma existência fosse a única oportunidade de evoluir.

A reencarnação responde a essas questões de forma satisfatória. Talvez até pudesse ser chamada também de reeducação. Aprender a partir dos erros, ter a oportunidade de saná-los, elevar-se moral e espiritualmente a partir de atitudes positivas parece ser algo mais coerente com a lógica divina do que aquilo que é proposto pela dicotomia céu/inferno. Vale lembrar que a reencarnação não é uma invenção do positivismo de Kardec. É uma crença milenar, encontrada desde as mais antigas culturas indianas e até em fragmentos da Bíblia (muitos deles perdidos ou adulterados, segundo a conveniência de forças políticas dominantes).

Não somos melhores porque acreditamos na reencarnação. Mas, acredito, somos mais lógicos, mas racionais e menos dogmáticos. Assim deve ser a fé, abstrata (senão deixaria de ser fé), mas calcada em argumentos racionais, longe de dogmatismos e sectarismos.

Douglas Fersan
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sábado, 4 de janeiro de 2014

Liberte-se: mensagem para começar bem o ano - por Douglas Fersan


Não reclame das amarras que lhe prendem, pois a maior parte delas foi criada por você.
Deixando de nutrir sentimentos negativos, praticando a caridade e o perdão, as algemas enferrujam e rapidamente viram pó. Você se liberta das amarras quando se liberta da falta de amor.

Pare para pensar se os desafetos que conquistou ao longo da sua vida merecem que você destrua sua saúde ruminando sentimentos amargos. Pense também se esses desafetos gastam seu tempo com você e com aquilo que você emana para eles. Mais ainda, pense se os seus desafetos são realmente os seres maléficos que você faz questão de ilustrar aos quatro cantos do mundo, afinal você também não é perfeito e o erro pode estar em você. Faça uma auto-avaliação: se acha que todo o mundo está errado e só você certo é sinal de que você não está tão certo assim. Se por onde passou, você conquistou mais inimizades do que amizades é sinal que você tem que repensar suas atitudes, e não os outros. Se o contrário aconteceu e você foi injustiçado, entregue tudo à justiça divina, que às vezes tarde, mas jamais falha.  Mas não faça dessa demora o adubo para fortalecer a sua língua ferina, pois um dia você pode mordê-la.

Lembre-se: ninguém é santo, nem mesmo você. Participar de uma religião implica em melhorar seu caráter e sua moral através de atitudes éticas, e não é lançando pedras em todas as direções que você vai evoluir. Ao contrário, vai se tornar cada vez mais prisioneiro das próprias imperfeições - às vezes as mesmas imperfeições que insiste em apontar nos outros.

Se você não foi ao espelho ainda, aproveite a oportunidade. Ainda há tempo... e torça para não se assustar com que irá ver refletido (caso a venda do seu ego já tenha caído dos seus olhos).

Evolua, cresça...  liberte-se.

Douglas Fersan

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Qual será o orixá regente de 2014? - Por Douglas Fersan

Particularmente acredito que todos os orixás regem nossa existência em todos os anos, até mesmo porque o calendário, tal como conhecemos, é uma instituição humana, e não espiritual. Acredito que nos momentos em que precisarmos de saúde, Omolu estará olhando por nós, regendo nossas vidas. O mesmo se dará com Xangô quando estivermos envolvidos em questões de justiça, e assim por diante. Na minha concepção todos os orixás estarão ativos o ano inteiro, atendendo às nossas necessidades. No entanto, existe, entre o povo do santo, a tradição de se verificar através dos odus qual orixá irá reger o próximo ano. E segundo essa tradição, 2014 será regido por Iansã e Xangô. Sendo assim, será um ano em que muitas coisas acontecerão: o movimento de Iansã colocará ordem em várias questões, grandes mudanças podem estar a caminho. Concomitante a esse movimento, teremos a energia de Xangô, o que nos leva a crer que a justiça será feita em vários âmbitos, que a rigidez do orixá dos trovões será implacável sobre aqueles que agem sob o ímpeto das paixões, não se importando se suas ações são justas, ao mesmo tempo em que corrigirá situações em que as injustiças prevalecem.
Mas independente do orixá regente, desejamos que 2014 venha com a energia de todos eles sobre nós, nos orientando em nossas ações, nos fazendo caminhar pela trilha mais reta possível, crescendo e nos aprimorando enquanto seres sociais e espirituais.
Salve todos os orixás.

Douglas Fersan
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domingo, 24 de novembro de 2013

Amarração - por Douglas Fersan


No imaginário popular, quando se fala em Umbanda, muitos imediatamente pensam em práticas como amarração. Sem conhecer a Umbanda e a filosofia de respeito e amor que a norteia, imaginam que é comum entre os umbandistas usar os conhecimentos que adquirem e as energias que manipulam para obter e vender serviços como esse.

A verdade é que a Umbanda trabalha dentro dos princípios da Lei de Deus e, sendo que o próprio Criador respeita o livre arbítrio e suas criaturas, seríamos nós tão arrogantes a ponto de trabalhar para interferir nesse livre arbítrio?
E mais, sendo conhecedores da inevitável lei do retorno, seríamos tão pouco inteligentes a ponto de estabelecer essa dívida e ligações que mais tarde nos seriam cobradas?

Não se trata aqui de negar a existência da prática. Ela existe sim, e muita gente se aproveita disso para obter favores pessoas, extorquir verdadeiras fortunas daqueles que as procuram desesperadas.  Essas pessoas usam o nome dos santos orixás para vender seu "produto", usam o nome da sagrada Umbanda, quando na verdade estão trabalhando com energias negativas, densas para atingir o campo energético daqueles que se encontram mais fracos e assim manipular sua vontade e sua vida.  Mas que fique bem claro: isso não é Umbanda e esses aproveitadores não são umbandistas.

Nós, umbandistas, não somos perfeitos, cometemos erros comuns, como qualquer ser humano comete no dia a dia, mas não usamos o nome da nossa sagrada religião para praticar o mal, obter vantagens pessoais e extorquir os leigos.  Quem age assim não pode e não deve usar o rótulo de umbandista.  Como diz o velho jargão, Umbanda é coisa séria para gente séria.

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Douglas Fersan
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