quarta-feira, 25 de junho de 2014

Bater cabeça - Douglas Fersan


Bater cabeça é um ato de humildade, de entrega, de sabedoria.

De humildade porque ao bater cabeça, você reverencia Deus, os orixás, as entidades e a hierarquia do seu terreiro.

De entrega porque mostra a fé inabalável em Deus e seus orixás e a confiança em seu dirigente, demonstrando que sente-se em segurança no solo sagrado (terreiro) em que pisa, sabendo que todos ali presentes, espiritual e materialmente estão em harmonia para que tudo corra bem.

De sabedoria porque os sábios entendem que humildade não é humilhação, é o reconhecimento de sua condição de eterno aprendia perante as forças divinas, em cujas fontes vai beber.

Infelizmente essa tradição - que deveria ser tratada mais do que como uma tradição, e sim como um ritual integrante do culto umbandista - está caindo em desuso. É preciso resgatar e manter vivas as raízes sagradas da divina Umbanda.

Douglas Fersan
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terça-feira, 24 de junho de 2014

Prece a Xangô



Poderoso Orixá de Umbanda,
Pai, companheiro e guia.
Senhor do equilíbrio e da justiça.
Auxiliar da Lei do Carma,
Só tu, tens o direito de acompanhar pela eternidade,
Todas as causas, todas as defesas, acusações e eleições,
Promanadas das ações desordenadas, ou dos atos impuros e benfazejos que praticamos.
Senhor de todos os maciços e cordilheiras,
Símbolo e sede da tua atuação planetária no físico e astral.
Soberano Senhor do Equilíbrio, da equidade,
Velai pela inteireza do nosso caráter.
Ajude-nos com sua prudência.
Defenda-nos das nossas perversões,
Ingratidões, antipatias, falsidades,
Incontenção da palavra e julgamento indevido dos atos
Dos nossos irmãos em humanidade.
Só Tu és o grande Julgador.
Kaô Cabecilê Xangô!


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domingo, 22 de junho de 2014

Será que toda casa tem axé? - por Douglas Fersan


Orixá é manifestação divina, é a presença de Deus em suas múltiplas faces na Terra. Assim, uma casa que cultua orixá se destina à prática do bem, da caridade, da solidariedade, da irmandade entre seus membros, da busca pelo crescimento espiritual.

E não se alcança o crescimento espiritual com atitudes escusas, duvidosas, egoístas e negativas. Deus e, portanto, os orixás não compactuam com isso. Se um templo foge desses preceitos, ele não tem orixá - pode ter kiumba, zombeteiro, trevosos, qualquer coisa, mas não tem orixá, não axé.

Se na sua casa realiza-se trabalhos de amarração ou separação de casais, o amor ali não prevalece, ali Oxum não sorri, ali Oxum chora. Ali não tem axé.

Se nessa casa não se prega a irmandade, o amor fraterno entre seus membros, Iemanjá não canta, ali Iemanjá lamenta.

Se os filhos da casa não se unem para socorrer um que porventura esteja em desespero e assim abrir seus caminhos, Ogum não vê motivos para lutar e guarda sua espada na bainha.

Se as bocas falam mentiras, se ali tentam prejudicar outros, Xangô aplica a justiça, pois ali falta não só o axé. Falta também ética.

E acima de tudo, se não amor, Oxalá educadamente se retira. Oxalá é a manifestação suprema do amor e da fé.

Então, antes de entrar numa casa lembre sempre: em casa que se cultua orixá, maldade não se cria.

Douglas Fersan
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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Porta da frente ou porta dos fundos? - Por Fabiana Carvalho


PORTA DA FRENTE OU PORTA DOS FUNDOS?
Por Fabiana Carvalho
O movimento de entrada e saída de médiuns do templo é algo comum e natural em todas as Casas Sagradas. Cada terreiro tem seus procedimentos e regras para aceitar novos filhos. Em alguns, basta manifestar a vontade e o sacerdote já deixa entrar na corrente mediúnica. Em outros, é preciso estagiar num grupo prático de desenvolvimento em dias específicos. Ainda há aqueles em que o aspirante a corpo mediúnico passa por um período preparatório mais longo, que inclui a discussão de temas sobre mediunidade e (con)vivência dentro do terreiro e exercícios práticos de incorporação.
Apesar dos procedimentos diferentes, na hora de buscar um novo terreiro, os motivos são basicamente os mesmos: descontrole mediúnico, vontade de desenvolver a mediunidade, ou dar continuidade ao trabalho espiritual já iniciado.
Não importa o que trouxe o médium à nova Casa, o comportamento dos iniciantes é sempre igual: alegria, contentamento, satisfação, gratidão e empolgação pela nova jornada que se inicia.
Porém, é importantíssimo que, antes de iniciar qualquer projeto em nossas vidas, saibamos terminar o anterior - as entradas são triunfais, mas e as saídas???
Como sacerdotisa, o que não quero para mim, não desejo para o outro. Quando alguém manifesta o desejo de participar do Templo, a primeira orientação é para se desligar do terreiro anterior que participava de forma direta, decente e respeitosa.
Na hora de entrar, tudo são flores; mas a convivência errada dentro do terreiro gera conflito, atrito, ciúme, briga, inveja, descontentamento, frustração e raiva... ocasionando saídas feias e desagradáveis!
Há uma ligação espiritual entre você e seu sacerdote, ele assumiu um compromisso perante os Pais e Mães Orixás de conduzir e amparar sua Coroa enquanto você pertencer à Casa dele. Dê uma satisfação formal sobre seu desligamento e desvincule-se energética e espiritualmente do Templo/sacerdote que já não satisfaz mais suas necessidades religiosas.
Ao desligar-se, tenha uma atitude ética: seja honesto e diga a verdade para seu sacerdote! Dê a oportunidade dele repensar a organização e estrutura Casa (e até mesmo seu próprio comportamento) se for procedente sua reclamação.
Não desapareça! Não mande recado por bilhete, e-mail, torpedo ou facebook, avisando que vai sair. Vá pessoalmente, pois foi pessoalmente, olho no olho, que você pediu para entrar.
E não tenha medo de possíveis demandas desse sacerdote - boa parte desse medo é infundado, pois dirigir um Templo ocupa muito tempo e energia de um líder espiritual para ele desgastar-se com alguém descontente com seu solo sagrado.
Mas claro que há, infelizmente, sacerdotes que enxergam a posse de sua "prole" e não permitem uma saída tranquila. Esse apego aos filhos da Casa (ou ao que eles podem proporcionar materialmente) é uma degeneração da liderança religiosa que devia entender e aceitar que esse movimento de saída é natural.
Para esses casos, tenha certeza que seu novo sacerdote irá lhe amparar e proteger espiritualmente.
O fundamental é você fazer a sua parte e sair limpo e de cabeça erguida pela porta da frente - que foi por onde você entrou!
Texto publicado no Jornal de Umbanda Sagrada - 168 - Veja todas as edições do Jornal de Umbanda Sagrada na Integra no site:
colegiopenabranca.com.br

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Exu x Kardecismo (texto de Alexandre Cumino)


Salve amados irmãos é com muita alegria que recebo esta oportunidade para falar de Exu e vou aproveitá-la para esclarecer um assunto que me parece polêmico: o fato de existir ou não Exu trabalhando junto as correntes kardecistas.
Bem uma coisa é clara, para todos nós, em sua forma característica, eles não incorporam no kardecismo , isso é fato, mas afinal tem ou não espíritos no grau de “guardiões” a proteger o trabalho Kardecista ?
Para que cada um julgue e considere segundo suas concepções do que é um Exu, vou me limitar apenas a transcrever alguns trechos de livros da série "Nosso Lar" de André Luiz , psicografado por Chico Xavier:
* De súbito, um companheiro de alto porte e rude aspecto apareceu e saudou-nos da diminuta cancela, que nos separava do limiar, abrindo-nos passagem. Silas no-lo apresentou, alegremente. Era Orzil, um dos guardas da mansão, em serviço nas sombras. A breves instantes, achávamo-nos na intimidade de pouso tépido. Aos ralhos do guardião dois dos seis grandes cães acomodaram-se junto de nós , deitando-se-nos aos pés. Orzil era de constituição agigantada , figurando-se-nos um urso em forma humana. No espelho dos olhos límpidos mostrava sinceridade e devotamento. Tive a nítida idéia de que éramos defrontados por um penitenciário confesso, a caminho da segura regeneração. "Ação e Reação" pg 62 
*Três guardas espirituais entraram na sala , conduzindo infeliz irmão ao socorro do grupo. "Nos Domínios da Mediunidade" pg.53 *Apenas o irmão Cássio, um guardião simpático e amigo, de quem o assistente nos aproximou, demonstrava superioridade moral."Nos Domínios da Mediunidade " pg.251

Bem não precisamos nos alongar não é, encontraremos o mesmo tema abordado em várias outras obras de cunho Espirita-Kardecista, só para citar mais uma, do autor J.R.Rochester, que se é polemico no entanto tornou-se um clássico, temos na obra "Os Magos" um certo Abin-ari espirito sem luz que vive de retirar de nosso meio os espíritos rebeldes e "larvais" que se voltam contra a humanidade.
Espero Ter ajudado na compreensão do mistério Exu, que formam uma hierarquia muito forte de trabalhos espirituais no astral, onde muitas destas hierarquias já estavam formadas antes da Umbanda, mas que por ela foram absorvidas sem deixar de prestarem o seu trabalho a outras religiões ou grupos espiritualistas, onde estiver um “guarda do astral”, um “guardião da luz para as trevas”, um “penitenciário confesso” trabalhando no resgate e proteção entre a luz e as trevas lá estará o que na Umbanda se chama Exu, no caso do kardecismo vimos estes guardiões trabalhando no astral, só não tem eles ali a liberdade de ação que encontram na Umbanda de incorporar, fazer descarrego, barganhar com outros incorporados, trabalhar na magia... porque tudo isso não cabe dentro da dinâmica Kardecista... é próprio de Umbanda... 


Um abraço de vosso irmão em Oxalá Alexandre Cumino.

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Sàngó - novo livro de Douglas Fersan


Luz e trevas, partes complementares do Universo.

À maioria dos olhos humanos é difícil perceber a presença de Deus em todos os cantos no Universo, especialmente nos mais obscuros. É justamente nas regiões mais trevosas que agem os soldados guardiões, responsáveis pela proteção do mundo espiritual e material.

Através dessa história, passada entre a Europa, o Brasil-colônia e escravocrata, e o mundo espiritual, é possível entender como age o princípio da Justiça Divina e da dualidade.

Viajando por esses três mundos, um jovem cigano envolve-se em uma trama de crime e mistério, que o leva a conhecer a fúria das paixões, a cultura negra, o culto aos orixás e, mais tarde, a compreender o trabalho dos guardiões espirituais, conhecidos como Exus. 

Justiça Divina e aplicação da Lei Universal: dois princípios que podem andar juntos e atuar sobre os seres encarnados e desencarnados. "Sàngó" não é apenas a história de um jovem aventureiro. É um livro que fala sobre a filosofia espiritualista nas entrelinhas, enquanto conta uma história envolvente.

Nenhum mistério resiste à fragilidade da luz. Não há luz sem trevas.

Adquira o livro no link https://clubedeautores.com.br/book/164580--Sango#.U4c-yHJdVu4

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Deus, obrigado por nunca desistir de mim - por Douglas Fersan

Escrevi esse texto/oração num momento de adversidade, pois mesmo diante das fraquezas do corpo (que responde à nossa falta de cuidados), percebi o quanto a vida me oferece de bom. Escrevi para lembrar que jamais devo perder a fé.


Se o sol não raiar, Deus, obrigado pela chuva
Se a chuva não cair, obrigado pelas nuvens,
pela esperança da solução que chegará.
Se o meu corpo doer, obrigado pela dor
que me avisa que ele pede cuidados.
Se eu me sentir triste, obrigado pelo sorriso dos meus filhos
que enche de alegria qualquer ambiente.
E se o mundo lá fora parece enlouquecer,
obrigado Senhor, pela harmonia do meu lar,
pelo amor da minha amada, pela solidariedade dos meus amigos
pelas mensagens de fé e manifestações de apreço.
Se eu adoecer, obrigado pelas preces
daqueles que mesmo distantes não me esquecem.
Obrigado Deus, por mais um dia
e apesar de alguns pesares,
obrigado por tudo, pois tudo tem sido belo.

Douglas Fersan
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