quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Transporte - por Mãe Monica Caraccio
Muito se fala sobre transporte e descarrego na Umbanda, mas poucos são os médiuns que sabem a diferença entre essas duas práticas tão comuns em nossos trabalhos assistenciais. Foi pensando nisso que resolvi colocar hoje para vocês, de maneira bem simples, o que é o transporte e o que é o descarrego na Umbanda, para que todos possam entender como cada um desses processos funciona e saber diferenciar um do outro.
O TRANSPORTE acontece quando um médium desenvolvido, capacitado e firmado dentro de uma corrente mediúnica, por determinação do astral, incorpora uma entidade espiritual de outro médium que no momento é incapaz de incorporar, um exemplo disso é quando ocorre a incorporação do Guia Espiritual de um consulente. Esse ato requer responsabilidade, conhecimento e atenção, pois acontece por algumas necessidades especificas que devem ser compreendidas proporcionando assim o equilíbrio espiritual e energético de todos os envolvidos.
Alguns dos motivos para que o Transporte aconteça: para absorver a energia prânica do médium, assim o corpo astral do Guia é vitalizado, fortalecido e até curado; para solicitar algo específico e importante como uma oferenda; para apresentação ou confirmação da existência de um Guia.
Já o DESCARREGO acontece quando um médium desenvolvido, capacitado e firmado dentro de uma corrente mediúnica, por determinação do astral, incorpora um espírito de baixa vibração energética, mental e emocional com intuito de “limpeza”.
Algumas situações que acontecem durante o Descarrego: médium incorpora “seu” próprio Exu de Trabalho para fazer limpezas energéticas, fazer negociações e/ou vitalizar o consulente; médium incorpora o Exu do consulente para fazer limpezas energéticas, fazer negociações, vitalizar seu médium e/ou solicitar oferenda especifica para que possa defender ou descarregar seu médium junto com elementos naturais e energéticos; médium incorpora Exu ativado pela Lei que, até então, atuava de forma punitiva e paralisadora retirando elementos energéticos e recolhendo espíritos que atuavam sob seu comando; médium incorpora espíritos negativos (faixas vibratórias negativas) como sofredores, eguns, zombeteiros, vampirizadores ou quiumbas, nesses casos todo cuidado e atenção são necessários, um exemplo disso é que para esses espíritos não se deve servir cigarro, vela, bebida etc, assim como não podem ser permitidas a comunicação ou solicitação de oferendas.
Todas essas situações de descarrego acontecem por permissão da Lei Divina, e é a partir de um trabalho religioso, de médiuns preparados, onde o único intuito é a caridade, que se tem a grande oportunidade de encaminhamento destes irmãos, que necessitam de nossa ajuda para um redirecionamento evolutivo.
Tanto o Transporte quanto o Descarrego, são práticas importantíssimas que permeiam as giras de Umbanda facilitando os trabalhos dos Guias Espirituais, além disso, são práticas que requerem muita responsabilidade, disciplina e conhecimento, portanto ESTUDAR é fundamental para melhor agir, praticar e servir dentro da Lei de Umbanda e da Lei Divina.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Finados... fim de quê? - por Douglas Fersan (republicação)
Finados? Fim de quê?
Algumas datas e situações são tratadas como sagradas. Uma aparente aura imaculada, na verdade um tabu, parece pairar sobre determinados assuntos, cuja contestação parece ofender as mais profundas tradições.
É óbvio que tenho muito respeito pela dor alheia, assim como respeito também a forma como ela se manifesta em datas como o dia de finados. Mas não consigo me comover com essa data.
Talvez alguém se espante com o fato de um umbandista dizer que não se abala com o dia de finados. Mas entendo o termo “finado” como algo que se esgotou, que chegou ao fim, que não existe mais. E a existência daqueles que amei e continuo amando não chegou ao fim, pelo menos não acredito nisso. E o fato de ser umbandista só reafirma essa minha convicção.
Tive uma ligação muito forte com meus pais, mas nem por isso me abalo no dia dos pais ou das mães. Além de saber que são datas criadas com fins comerciais, tenho meus pais em grande estima todos os dias, mesmo eles já tendo feito sua passagem há tantos anos. A saudade que sinto deles é a mesma, independente da data.
Mas o dia de finados constitui algo diferente, ao mesmo tempo mórbido e especial. Longe de querer criticar quem se comove e se mobiliza nesse dia (afinal cada um tem sua forma individual de manifestar os sentimentos), mas não consigo me inserir nessa peregrinação aos cemitérios a fim de manifestar a saudade e o respeito àqueles que partiram para o plano espiritual. Como umbandista não vejo a morte como um fim, e sim como uma etapa inevitável e talvez sucessiva, dependendo do progresso moral de cada um. Vejo o ser humano, a mais complexa criação divina, como algo muito além da matéria – pensamento e espírito são, na minha concepção, coisas que transcendem o fim da carne, que sobrevivem a qualquer revés e, mesmo que não atingindo os graus mais elevados da chamada evolução, continuam a existir. Sendo assim, o que me levaria a peregrinar a um cemitério a fim de cultuar a única parte que acredito não ser eterna no ser humano? Não me faz sentido.
Prefiro tratar bem, com respeito e amor, aqueles que me são caros ainda em vida, do que levar-lhes flores em datas pré-estabelecidas após sua morte. Não quero reverenciar e amar uma lápide, prefiro dedicar meu tempo e meus sentimentos àqueles que amo enquanto ainda posso vê-los e tocá-los. Após partirem, vou continuar a amá-los, mas demonstrarei isso através das minhas preces e dos meus pensamentos, que serão diários e feitos em qualquer lugar, não necessariamente num cemitério. Aqueles que amo não findam, não acabam, nunca serão finados, pois tenho convicção na continuidade de sua existência, ainda que ela não seja tangível para mim.
Creio também que a paz daqueles que partiram depende da paz que aqueles que aqui ficaram os permitam ter. Sofrer a perda de alguém amado e chorar essa dor é natural e justificável. O que não é correto, sob o meu ponto de vista, baseado em tudo que aprendi até o momento, é cultuar o sofrimento e a dor da separação. Isso aprisiona quem deve partir e não liberta quem permanece na terra, que fica prisioneiro da própria dor.
A Umbanda me dá a fé e a força para seguir adiante, na luta cotidiana, mesmo sem a força dos entes queridos que me davam sustentação. E essa força recebo todos os dias, através da fé, dos orixás, das entidades e, quem sabe, até mesmo desses entes queridos, que quiçá já tenham atingido a luz necessária para me levantar quando preciso. E essa força eu encontro no elo que ainda me liga a eles, independente do dia ou do lugar. Encontro essa força porque a Umbanda me dá a certeza de que não existem finados. Existe a força infinita do amor, que mantém sempre unidas as pessoas que se amam verdadeiramente.
Salve todos nossos ancestrais, vivos em nossas tradições e corações.
Salve o amor infinito que une o mundo espiritual e o material.
Saravá a Umbanda.
Douglas Fersan
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Prece aos pretos velhos
Amado Pai Maior, de joelhos peço Vosso amparo divino neste momento.
Envie Suas irradiações vivas e divinas e envolva todo meu espírito, remova todas as imantações e vibrações negativas para que, equilibrado e harmonizado, eu possa invocar o trabalhar com o mistério dos Pretos Velhos.
Amados Senhores Regentes do Trono da Evolução, peço ao amado Pai Obaluaiê e à amada Mãe Nanã Buruquê que abra o Vosso Portal e acolha minha prece.
Amados pretos velhos,
De joelhos peço a vossa presença ao meu lado direito e que através do meu lado sagrado, vós possa auxiliar-me e amparar-me neste momento de minha vida.
Peço aos senhores que me equilibrem energeticamente e acalmem meu coração, para que equilibrado eu possa direcionar meus pensamentos e escutar as vossas palavras através do meu eu interior. Os meus desejos e pensamentos já foram registrados nas telas vibratórias divinas e já estou sendo irradiado pelas esferas afins com meu estado de espírito ao qual me encontro nesse momento.
Em sua imensa luz e sabedoria, intercedam por mim, para que eu possa ser auxiliado pelas hierarquias de luz a qual estou ligado.
Mostrem-me meus erros para que consciente deles possa retificá-los.
Ó meus amado Pretos Velhos, sejam a guia que me conduzirá a senda evolutiva do Divino Criador nesta terra de meu Deus, removam todos os buracos, pedras e obstáculos que tem me prejudicado.
Nunca deixem faltar a sabedoria necessária para que eu possa tomar as decisões certas e assim remover as situações que me perturbam;
Nunca deixem faltar saúde em meu corpo material, pois sem ela não consigo viver dignamente nesta terra;
Nunca deixem faltar o alimento de todo dia;
Nunca deixem faltar esperança em realizar os meus sonhos e projetos;
Em sua morada espiritual, zelem por mim nesta terra de meu Deus.
Amém!
domingo, 13 de setembro de 2015
Mediunidade não é miojo - por Douglas Fersan
Ser médium não é um privilégio, é uma constante provação, não no sentido pejorativo, não no sentido de sofrimento, mas sim de sermos colocados à prova em todos os instantes.
Ser médium não é ter superpoderes, não é prever o futuro, não é obter vantagens do mundo espiritual para a vivência no mundo material. Ser médium não "ter" um exu, um preto velho ou um caboclo. Ser médium é SER instrumento do exu, do preto velho ou do caboclo. Acima de tudo, ser médium é ter responsabilidade e paciência.
Ser médium é ter responsabilidade, pois tudo que é dito através de nossa boca durante a incorporação deve ser somente palavras das entidades, e nunca nossas. Em outras palavras, jamais devemos usar o nome das entidades ou a (suposta) incorporação para dizer coisas que não diríamos sem nos esconder atrás do nome deles.
E ser médium é ter paciência, porque requer muita resignação. O desenvolvimento mediúnico é um processo, não um evento, e é extremamente particular: para uns mais rápido, para outros mais lento. Alguns desenvolvem a sua mediunidade rapidamente, pois, devido a diversos fatores, entram em sintonia com seus orixás e entidades mais facilmente. Outros, por fatores como a ansiedade, os vícios, os medos, a timidez, demoram mais para estabelecer essa sintonia. O importante é não pular os degraus do desenvolvimento mediúnico.
Médiuns responsáveis sentem lentamente as vibrações das entidades e as vão assimilando aos poucos. Dessa forma a "coisa" acontece de forma natural, sadia, responsável e correta. O bizarro - e irresponsável - é quando um "médium" que nunca sentir sequer uma irradiação de repente, como que se alguém apertasse do botãozinho do "ligar" sai dançando o gingado das entidades e orixás como se apesar de nunca ter sentido nada antes, naquele dia a sua mediunidade tivesse se desenvolvido instantânea e milagrosamente e seus orixás e entidades já estivessem 100% sintonizados com ele.
Estranho?
Não... infelizmente não. Mais comum do que parece.
Apenas não imaginem que as outras entidades, bem como os dirigentes e até mesmo a assistência não percebe isso. Também não confunda solo sagrado (terreiro) com palco. São coisas bem distintas.
Também não confunda mediunidade com miojo. Um fica pronto em três minutos, a outra requer equilíbrio e seriedade. E isso às vezes leva tempo.
Douglas Fersan
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terça-feira, 8 de setembro de 2015
O Templo de Umbanda é sua igreja. Ou não? - Por Douglas Fersan
Ao entrar na igreja o fiel permanece em silêncio ou fica conversando com os amigos os assuntos da semana?
Ao entrar na igreja o fiel, seja católico ou evangélico, fica contando piadas ou se mantém em prece?
Para ele não importa se a igreja é suntuosa, luxuosa ou se tem os bancos feitos em madeira rústicas o piso em cimento cru. Ele mantém a postura adequada. Ele entende que aquele é um ambiente sagrado e não vai, em momento algum, tomar atitudes que o profanem. Pelo menos é isso que se espera dele.
O mesmo esperamos do umbandista.
Ao entrar no terreiro de Umbanda você se lembra que está entrando em sua igreja?
Lembra que ali é onde residem as energias e as divindades que você cultua e que, portanto, deve respeitar?
Lembra que como praticante da religião é o espelho dela, ou seja, as pessoas julgam a sua religião a partir das suas atitudes?
Você se lembra que o ambiente requer respeito e palavreado adequado? Você entende que determinadas atitudes profanam aquele lugar e que Deus, apesar de onipresente, costuma se afastar de ambientes que não condizem com uma postura adequada.
Então não importa o luxo da casa que você frequenta, o que importa é o respeito que você tem por ela.
Douglas Fersan
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sábado, 5 de setembro de 2015
Sou uma andorinha nesse inverno hostil - por Douglas Fersan
Hoje eu gostaria de colocar uma mensagem de alegria, de felicidade aqui, mas será possível? Nessa semana o mundo se chocou com a imagem (que de tão triste prefiro não colocar aqui na nossa página) do menino sírio que morreu afogado quando a família tentava refúgio e a embarcação naufragou no litoral da Turquia.
Ora - dirão alguns - todos os dias morrem centenas de pessoas, crianças, inclusive, de fome, de frio, de sede... É verdade. Infelizmente é verdade. Mas poucas vezes surgem imagens que chocam tanto, e quando elas aparecem e causam comoção, talvez seja a oportunidade para repensarmos nossa imperfeita condição humana.
Até quando fronteiras geográficas irão nos impor fronteiras fraternais e espirituais? Até quando permitiremos que a cor da pele, a crença, a condição sexual, a origem geográfica nos separem entre melhores e supostamente piores?
Até quando permitiremos que seres inocentes, os quais nos foram confiados por Deus, sofram pelas nossas sandices?
Quando vi aquela foto, do menino de bruços na areia, não pude deixar de pensar nos meus filhos. Quantas vezes os troquei, vesti, coloquei sapatinhos... da mesma forma que os pais daquele menino fizeram com ele. Tudo que queremos para nossas crianças é a felicidade, é um mundo melhor. O problema é que costumamos querer isso para as "nossas" crianças, esquecendo de tantas outras crianças que existem no mundo. Acabamos deixando que os nossos idiotas valores adultos se tornem mais fortes que essa necessidade de cuidar de tanta infância dispersa por aí.
Hoje estou de luto. O mundo deveria estar de luto. Não só pelo menino, mas por toda nossa imperfeição. Pela nossa vergonhosa imperfeição, pela mesquinhez dos donos do poder e pela nossa inércia e burrice em permitir que eles e seus valores continuem sendo ditados como nossos valores.
Apesar de ser uma das poucas andorinhas nesse inverno, espero que um dia possamos fazer verão.
Tristeza profunda.
Douglas Fersan
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Ora - dirão alguns - todos os dias morrem centenas de pessoas, crianças, inclusive, de fome, de frio, de sede... É verdade. Infelizmente é verdade. Mas poucas vezes surgem imagens que chocam tanto, e quando elas aparecem e causam comoção, talvez seja a oportunidade para repensarmos nossa imperfeita condição humana.
Até quando fronteiras geográficas irão nos impor fronteiras fraternais e espirituais? Até quando permitiremos que a cor da pele, a crença, a condição sexual, a origem geográfica nos separem entre melhores e supostamente piores?
Até quando permitiremos que seres inocentes, os quais nos foram confiados por Deus, sofram pelas nossas sandices?
Quando vi aquela foto, do menino de bruços na areia, não pude deixar de pensar nos meus filhos. Quantas vezes os troquei, vesti, coloquei sapatinhos... da mesma forma que os pais daquele menino fizeram com ele. Tudo que queremos para nossas crianças é a felicidade, é um mundo melhor. O problema é que costumamos querer isso para as "nossas" crianças, esquecendo de tantas outras crianças que existem no mundo. Acabamos deixando que os nossos idiotas valores adultos se tornem mais fortes que essa necessidade de cuidar de tanta infância dispersa por aí.
Hoje estou de luto. O mundo deveria estar de luto. Não só pelo menino, mas por toda nossa imperfeição. Pela nossa vergonhosa imperfeição, pela mesquinhez dos donos do poder e pela nossa inércia e burrice em permitir que eles e seus valores continuem sendo ditados como nossos valores.
Apesar de ser uma das poucas andorinhas nesse inverno, espero que um dia possamos fazer verão.
Tristeza profunda.
Douglas Fersan
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segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Lição de preto velho - texto adaptado por Douglas Fersan
Dizem que certa vez um homem com grandes problemas procurou um terreiro de Umbanda a fim de obter ajuda. nada em sua vida dava certo, não havia harmonia no lar, o dinheiro era curto, a saúde estava abalada. Ele foi atendido por um preto velho que perguntou se ele estava bem. O homem passou então a contar os seus problemas.
O preto velho então começou a falar disse assim:
_Você precisa seguir o seu caminho de luz, meu filho. Tem que parar de ser egoísta, se desprender das coisas materiais, precisa parar de se divertir e sentir prazer com o sofrimento dos outros, isso só te empurra cada vez mais para o fundo do poço. Precisa elevar a alma, rezar, pedir clemência a Deus e perdão pelos seus pecados. Precisa largar os vícios mundanos, da bebida, do fumo, do sexo. Precisa deixar as pessoas em paz e cuidar mais do seu crescimento espiritual.
Educadamente o homem ouviu aquilo, mas ficou surpreso, pois não fazia aquelas coisas. Não era egoísta, não era apegado às coisas materiais não se divertia com o sofrimento alheio e nem tinha vícios. Mas como era muito educado, não discutiu com o preto velho. Apenas ouviu, agradeceu e foi embora.
No entanto, a partir desse dia sua vida melhorou. A partir daí a harmonia tomou conta do seu lar, a saúde se restabeleceu, os caminhos se abriram.
Passado um tempo, foi convidado a voltar ao mesmo terreiro de Umbanda. Novamente aceitou e foi de boa vontade. Lá chegando foi outra vez atendido pelo mesmo preto velho, que pitava silenciosamente em seu banquinho.
Ao iniciar a conversa, antes que o homem dissesse qualquer coisa, o preto velho perguntou:
_As coisas melhoraram, meu filho?
_Sim - respondeu o homem educadamente.
_Pois é, meu filho - disse o preto velho - naquele dia em que conversamos você achou nada do que eu dizia estava certo, que não tinha a ver com o que você estava passando. O filho só não entendeu que não era com você que eu conversava, e sim com o obsessor que estava ao seu lado, atrapalhando a sua vida.
Agradecido, o homem não conseguiu conter as lágrimas e humildemente beijou as mãos do preto velho.
Fica aqui uma dupla lição de humildade.
Texto adaptado - ouvi de um amigo de um amigo meu.
Douglas Fersan
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O preto velho então começou a falar disse assim:
_Você precisa seguir o seu caminho de luz, meu filho. Tem que parar de ser egoísta, se desprender das coisas materiais, precisa parar de se divertir e sentir prazer com o sofrimento dos outros, isso só te empurra cada vez mais para o fundo do poço. Precisa elevar a alma, rezar, pedir clemência a Deus e perdão pelos seus pecados. Precisa largar os vícios mundanos, da bebida, do fumo, do sexo. Precisa deixar as pessoas em paz e cuidar mais do seu crescimento espiritual.
Educadamente o homem ouviu aquilo, mas ficou surpreso, pois não fazia aquelas coisas. Não era egoísta, não era apegado às coisas materiais não se divertia com o sofrimento alheio e nem tinha vícios. Mas como era muito educado, não discutiu com o preto velho. Apenas ouviu, agradeceu e foi embora.
No entanto, a partir desse dia sua vida melhorou. A partir daí a harmonia tomou conta do seu lar, a saúde se restabeleceu, os caminhos se abriram.
Passado um tempo, foi convidado a voltar ao mesmo terreiro de Umbanda. Novamente aceitou e foi de boa vontade. Lá chegando foi outra vez atendido pelo mesmo preto velho, que pitava silenciosamente em seu banquinho.
Ao iniciar a conversa, antes que o homem dissesse qualquer coisa, o preto velho perguntou:
_As coisas melhoraram, meu filho?
_Sim - respondeu o homem educadamente.
_Pois é, meu filho - disse o preto velho - naquele dia em que conversamos você achou nada do que eu dizia estava certo, que não tinha a ver com o que você estava passando. O filho só não entendeu que não era com você que eu conversava, e sim com o obsessor que estava ao seu lado, atrapalhando a sua vida.
Agradecido, o homem não conseguiu conter as lágrimas e humildemente beijou as mãos do preto velho.
Fica aqui uma dupla lição de humildade.
Texto adaptado - ouvi de um amigo de um amigo meu.
Douglas Fersan
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