terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Quando se brinca com as sombras... - por Douglas Fersan



Quando um médium procura um templo espiritualista (independente de sua denominação) e segue todas as regras e cuidados que seus mentores ensinam, ele se torna um trabalhador da luz, uma ferramenta da Mão Divina para a prática da caridade. Essa seriedade lhe concede a segurança necessária para realizar o seu trabalho espiritual sem medo dos ataques nefastos dos seres das sombras, pois estará sempre formando um escudo moral em torno de si.

Já a prática espiritual irresponsável causa justamente o oposto. Quando se trata a espiritualidade como uma simples aventura, os mentores de luz certamente terão tarefas mais importantes para cuidar do que simplesmente observar brincadeiras tais como a do copo, do compasso, da tábua ouija ou a mistificação que muitos praticam inclusive dentro de casas religiosas.

Portanto, não esqueça: quando você trabalha para a luz, a luz lhe ampara. Quando brinca com as sobras, elas lhe observam.

Douglas Fersan

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Vivemos os problemas do mundo, mas nossa fé nos ampara - Douglas Fersan


O fato de sermos umbandistas não nos torna imunes de nada que acontece no mundo, sejam coisas positivas ou negativas. Estamos todos sujeitos a momentos de alegria e de dissabores, pois o fato de sermos - ou pelo menos devermos ser - espiritualizados não nos livra daquilo que acontece em sociedade, pois o espírito é luz, mas o corpo é do mundo e a sociedade nos influencia diretamente.

Estamos sempre sujeitos a fatos que podem nos causar dissabores, tristezas, traumas, rancores e desgostos. A violência é um problema social crônico e pode sim nos atingir. Manter a fé em Deus, em nossos orixás e guardiões pode nos ajudar a evitar essas situações, mas muitas vezes a densidade negativa que existe sobre o planeta é tão grande que acaba nos atingindo.

Como todo cidadão consciente, devemos - apesar de ser difícil - manter a calma nesses momentos e lembrar que o importante é a nossa existência nesse plano, pois se ainda aqui estamos encarnados, é porque temos muito o que cumprir e aprender ainda. Bens materiais se vão, assim como um dia vieram e podem voltar seja através da justiça ou de nosso trabalho. Mas lembremos sempre de agradecer ao fato de estarmos vivos e seguros após passar pelo trauma de uma violência social.

Nessa semana um filho de nossa casa passou por um momento assim. Felizmente manteve a calma e apesar de ter uma arma apontada para si, saiu ileso. Os bens materiais (automóvel e celular se foram), mas o mais o mais importante é que ele continua inteiro e saudável entre nós.

Talvez os críticos da nossa fé digam: "ora, mas onde estavam os orixás que não os protegeram?"
Os orixás estavam bem ali, fazendo com ele mantivesse a calma e impedindo que o marginal por nervosismo, maldade ou desprezo pela vida humana disparasse o gatilho. Os orixás trabalharam como nunca.

Da mesma forma que Deus estava presente quando tentaram matar o pastor Valdemiro Santiago. Muitos zombaram do fato dizendo que pelo fato dele ser pastor Deus deveria tê-lo livrado do criminoso. Essa "brincadeira" é no mínimo maledicente. Resguardados os juízos de valores, ele também está sujeito à violência do mundo, assim como qualquer pastor, pai-de-santo, rabino, padre, bezedeira, etc. Somos humanos encarnados que vivemos numa sociedade doente.

Mas como Deus é grande, Ogum é guerreiro, Xangô é justiça, os exus não nos desamparam e os malandros gostam de uma farra mas detestam a maldade, por um desses acasos, a polícia em uma de suas operações localizou o carro roubado. Que bom, mais uma prova de que os orixás estão trabalhando. Mas vale dizer novamente que apesar dos bens recuperados, o mais importante ainda é a integridade desse filho da nossa casa.

Abençoados sejam os orixás, os guardiões e os homens da lei que fizeram seu trabalho. Que fique o exemplo deixado por esse filho: por maior que seja o valor do seu bem material, sua vida e tudo que foi planejado para ela vale muito mais.

Obrigado aos nossos amigos espirituais por não nos desampararem mais uma vez.

Douglas Fersan.

A falange dos Caveiras - Pretah de Oyá





Eu tenho que admitir que dentro da linha de Exú a falange que tenho mais receio é a dos CAVEIRAS. ( e quantas vezes já ouvi isso)
Mas porque eles usam essa roupagem? Eles são caveiras? Moram no Inferno? São malígnos?


Então, para começar: Eles são MARAVILHOSOS! Não, não são do inferno, nem malígnos! Esse medo na maioria de nós se dá por dois motivos:

1) Somos criados dentro de um universo simbólico onde a caveira significa morte, perigo, veneno, mal, então associamos essas entidades à coisas medonhas que em absoluto não fazem parte da missão desses espíritos, que carregam um fardo enorme.

2) Sim, a energia deles causa esse receio, pois precisa ser assim. Os Exús da linha dos Caveiras lidam com o desencarne, com as pendengas que os espíritos deixam, encaminham as almas, capturam kiumbas, quebram feitiços, são agentes da lei mágica, protetores da Alta Magia ( apesar de serem associados com a baixa).

Eles estão diretamente ligados ao Orixá Omulú, pois é ele que cuida da transição desse mundo e do próximo. São seus auxiliares, seus trabalhadores, que cuidam dessa porteira espiritual, da transição e por isso caveiras. A caveira é o elemento mais íntimo do ser encarnado ao mesmo tempo que é o último resquício desse quando desencarna, ou seja, representa essa dualidade vida e morte.

Sinto decepcionar os que achavam que cultuávamos o motoqueiro fantasma, mas não, esses espíritos são trabalhadores árduos e MUITO SÉRIOS. Sua energia não deve ser invocada com tanta frequência quanto os demais por trabalharem dentro dessa esfera energética, muitas vezes indo à umbrais, lugares escuros e sombras para recuperação de almas.

Meu respeito e agradecimento
Salve sua banda! Salve os caveiras!

#PretahdeOyá ☞Créditos

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Umbandista de internet - por Douglas Fersan


Internet é terra de ninguém, isso é fato.

Posso escrever aqui o que eu quiser sem que se comprove a veracidade.  Qualquer um pode publicar os maiores absurdos em blogs, sites pessoas, facebook, sem que ninguém fiscalize e comprove se as informações ali contidas são fidedignas.  Essas informações podem se espalhar livremente (ou viralizar, como se diz em linguagem de internet) e muitos podem tomá-las como autênticas.  Alguns passam até a defender esses impropérios como verdades absolutas e questionáveis.

Quando se trata da nossa religião, a Umbanda, a situação fica ainda mais perigosa.
Muitos caem na ilusão de buscar informações via internet.  Em primeiro lugar se esquecem do que foi dito logo acima: que a internet é livre, é terra de ninguém e cada um publica nela o que bem entender, inclusive informações falsas.  Esquecem também que já que a Umbanda não possui uma "Bíblia" ou um código de conduta, cada casa possui suas particularidades.  Então, se você busca informações na internet, pode até encontrar algumas que sejam sérias e verdadeiras, mas que não se adaptam à liturgia da casa que você frequenta.

A situação fica pior quando a pessoa passa a buscar informações sobre a "sua" entidade na internet.  Experimentem encontrar a história do Exu Caveira, do baiano Zé do Coco ou de qualquer outra entidade.  Encontrarão pelo menos três histórias diferentes para cada uma delas (lembre-se que as entidades trabalham em falanges e cada uma delas que pertence a essa falange possui sua própria individualidade e história).

Só é possível piorar a situação se você tentar descobrir o ponto riscado da sua entidade via internet. Aí o caldo entorna de vez...   Pontos riscados, além de serem a assinatura das entidades, são os portais abertos por elas.  Aí você "estuda" (sim, entre aspas mesmo) pela internet e passa a reproduzir o ponto que viu em um site, mas esse site não é confiável e aquele ponto não corresponde à realidade.
Lascou...  você sabe para quem abriu um portal?
Nem eu. E prefiro não saber.  Deixe que a própria entidade risque seu ponto, jamais tente passar à frente dela para isso.

Esses foram apenas alguns exemplos dos perigos que se corre quando se fala em estudar a Umbanda pela internet.  Claro que não podemos descartar totalmente esse instrumento tecnológico, mas jamais o substitua pela experiência.

Então se você quer estudar a Umbanda, o faça  em seu terreiro.  Sente-se aos pés de alguma entidade e converse com ela.  Observe a forma de agir e trabalhar quando elas estiverem em terra.  Camboneie bastante (esse deveria ser o estágio obrigatório dessa faculdade chamada Umbanda), pergunte aos mais velhos e experientes.  Mas jamais pense que você sabe muito por ter pesquisado na internet, pois você ter perdido seu tempo e pior, pode estar reproduzindo rituais e comportamentos que não condizem com a realidade da nossa religião.

Douglas Fersan

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Sou eu ou a entidade que está falando?





“Sou eu ou a entidade que está falando?” Como se livrar da eterna dúvida?

Esta é talvez a dúvida mais comuns aos médiuns iniciantes. E se sua resposta fosse simples, não seria mais dúvida alguma. Na verdade, a interferência de médiuns no contexto da incorporação é muito comum no princípio do desenvolvimento e deve ser encarado como algo normal. Somente com o exercício, o médium diminui sua ansiedade e cede espaço para que a entidade se manifeste com liberdade e clareza. Durante este período o médium precisa de entrega absoluta esta experiência. Ignorar o julgamento alheio e recorrer sempre aos dirigentes do terreiro para ajustar o que for preciso.

Não há regras absolutas. Contudo, há alguns indicadores típicos de interferência dos médiuns seja na comunicação, seja na movimentação do corpo. O médium está comumente travado, restringindo a ação da entidade, quando:

A entidade incorporada não fala nada, mal se move nem sai do lugar;
O médium tropeça, se desequilibra ou cai com frequência no processo de aproximação;
O médium inicia o processo de incorporação mas ele se rompe “no meio do caminho”.
Por outro lado, são indicadores de animismo, de exacerbação da ação do espírito, quando:

A entidade grita muito, fala muito alto ou se movimenta exageradamente;
Quando há um excesso de tiques nervosos, sotaques ou ações incompreensíveis;
Quando o que ele diz não corresponde com a realidade ocorrida;
Quando o espírito manifesta opiniões que na verdade são do médium e não dele.

Este último caso é sempre uma questão delicada de se analisar. Contudo há uma dica que pode ajudar: A palavra de um espírito de luz possui um tipo de sabedoria claramente identificada em seu discurso, mas que dificilmente pode ser vista no discurso do encarnado. Eles não tomam partido em conflitos terrenos.
Guardam uma imparcialidade ímpar nestes conflitos, mesmo quando seus aparelhos estão envolvidos, pois reconhecem todos como filhos de Deus carentes de esclarecimento e auxílio nesta terra. Esteja atento a este tipo de sabedoria. Onde você encontrá-la, estará falando com um guia autêntico.

Fonte: https://www.facebook.com/MundodeAxe/?hc_ref=NEWSFEED&fref=nf

sábado, 17 de dezembro de 2016

A sereia e o marinheiro - Douglas Fersan



Dizem que o marinheiro navegava solitário pela imensidão do mar.
Já não tinha fé, esperança e nem mesmo desejo de voltar para a terra e para os seus. Estava desiludido com tudo, preferia a solidão do mar.
Certa noite, o marinheiro que já não acreditava em mais nada, estava na proa de seu barco olhando as estrelas e se lembrou que seu avô, um velho marinheiro também, contava que a Rainha do Mar não desamparava ninguém, sempre enviava alguém para consolar o coração daqueles que já haviam perdido a fé na vida e no amor. Foi quando o marinheiro ouviu um canto... um doce e belo, afinado como o mais perfeito dos instrumentos musicais. Procurou de onde vinha aquele canto até que viu uma bela sereia rodeando seu barco. Ele não teve dúvidas: lançou-se ao mar e beijou a linda sereia.
Todos contam que o barco voltou vazio ao cais. Mas poucos sabem que o marinheiro reencontrou sua felicidade com a sereia no fundo do mar.

Douglas Fersan

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ossaim e Saci - Tema de estudo



Ossaim e saci (tema de estudo): antes de criticar leia até o fim.

Acredita-se que lenda do Saci Pererê date do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras deste ser encantado.
Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um menino brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como uma entidade maligna. Normalmente é descrito como uma criança, um negrinho, de uma perna só, que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos - como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos.
Segundo algumas lendas, existem três tipos de Sacis: o Pererê (menino negro), o Trique (moreno e brincalhão) e o Saçurá (de olhos vermelhos). Dizem também que ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê, cujo assobio melancólico dificilmente se sabe de onde vem.
Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci e se alguém jogar no redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo. Se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.
Alguém perseguido por ele, deve jogar cordas com nós, pois o Saci vai parar para desatar os nós; ou procurar um curso d´água, pois ele não atravessa córregos nem riachos.
Alguns afirmam que entre os índios Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho negro de uma só perna que aparecia aos viajantes perdidos nas matas. Também, de acordo com a região, ele sofre algumas modificações: dizem que ele tem as mãos furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos.
Há quem diga que o Caipora, famoso personagem das lendas brasileiras, é seu Pai.
Uma outra versão diz que o Saci foi iinspirado em Osain, o "Orixá das Folhas", que vive nas florestas e possui apenas uma perna.