terça-feira, 30 de agosto de 2016

Quem ama liberta - Douglas Fersan

  Provavelmente a tarefa mais difícil na estrada da evolução é a prática do desapego. Nos apegamos às coisas materiais - dinheiro, objetos - além das ilusões de poder e de status. Mas existe também o apego afetivo, que ocorre dos dois lados: de quem fica e de quem vai. Todos passamos por momentos em que temos que nos separar daqueles a quem amamos e isso nos causa sofrimento, e que fique claro, sofrer é um direito que temos. No entanto, como pessoas espiritualizadas não podemos deixar que o nosso sofrimento se torne um obstáculo prendendo aqueles que partiram. Ao fazer desse sentimento um obstáculo, criamos um elo que impede a paz e a evolução de nossos entes queridos que se foram e, sem perceber regredimos também. 

  Sem perceber criamos (eles e nós) um círculo assombroso de lamúrias e prisões afetivas, o qual não merecemos e não nos faz bem.

  De onde estão, os que partiram sentem nossa angústia e não conseguem seguir em sua caminhada. Sofrer é um direito, amar é uma dádiva e libertar quem amamos é um ato de sabedoria.

Douglas Fersan

domingo, 28 de agosto de 2016

Você compreende Exu? - Douglas Fersan



Contam os antigos que um homem caminhava pelas ruas cheio de ira. Havia brigado em casa, não estava feliz com o trabalho e desejava todo tipo de mal e de vingança para os seus desafetos. Procurava uma encruzilhada, pois ali depositaria uma "oferenda" que haviam lhe ensinado para acabar com os inimigos. E assim o fez assim que achou uma encruzilhada escura e longe de olhares curiosos. Pediu que seus inimigos fossem destruídos e que sua mulher, com quem tivera uma briga feia, tomasse um corretivo. Após o despacho saiu de lá ainda mais irado, pois um bando de obsessores invisíveis que transitava pelo local assistiu à cena e o acompanhou a fim de se divertir atrapalhando ainda mais a sua vida. Na encruzilhada ficou o lixo depositado, pois era um trabalho sem fundamento algum. Ficou também Exu, o verdadeiro dono do lugar, lamentando pela mesquinhez da alma humana, pois aquele cidadão poderia, no lugar de desejar o mal e a vingança, pedir evolução, paciência e sabedoria para resolver seus problemas. "Os encarnados ainda têm muito o que aprender sobre nós" - lamentou o Exu.

Douglas Fersan

domingo, 14 de agosto de 2016

Quem me protege não dorme... MESMO!!! - Douglas Fersan




Vemos inúmeras postagens nas páginas de Umbanda no facebook dizendo que "quem me protege não dorme", se referindo aos exus e às pombogiras. Essas palavras quase sempre vêm carregadas de um tom agressivo, provocativo e ameaçador (talvez com o objetivo de intimidar os leigos em relação à nossa fé). Nós, da página Lar de Preto Velho, queremos salientar duas coisas:

1. Ao usar um tom ameaçador, estamos contribuindo para os desconhecimento e para fortalecer aqueles que usam qualquer desliza de nossa parte para denegrir a nossa religião;

2. quem nos protege realmente não dorme e vigia tudo, inclusive a nós e aos nossos atos, portanto não basta ter um protetor, é importante, acima de tudo, ser merecedor dessa proteção.

Então tomemos cuidado com o que afirmamos sobre a nossa fé. Se não pudermos contribuir com o crescimento das informações sobre a nossa fé, é melhor ficar calado e não prestar um desserviço. Afinal, quem nos protege não dorme... e nos vigia também, já que tudo funciona segundo a lei do retorno.

Douglas Fersan

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Umbanda tem ritmo, mas não é só isso - Douglas Fersan


A Umbanda é musical, a Umbanda tem ritmo.
Ao entrar pela primeira vez em um templo de Umbanda muitos se deslumbram com a musicalidade dos pontos cantados e o consequente acompanhamento, pelos filhos de fé, que felizes batem palmas. Esse gesto parece, a princípio, apenas o acompanhamento daqueles que estão à vontade, felizes e interagindo com a curimba (atabaques) da casa. Mas não é não simples assim.

Ao bater palmas, ativamos os chacras localizados em diversos pontos das mãos, entramos em sintonia com a curimba, que deixa de trabalhar sozinha e passa a ter o apoio da corrente e assim conseguimos alcançar esferas espirituais às quais necessitamos para aqueles trabalhos.

O ponto cantado é uma prece, a curimba é a cadência que leva essa prece ao astral e traz o seu retorno, e as palmas ativam a energia dos chacras de cada membro da corrente (e até da assistência) para que haja fluidez nos trabalhos.

Portanto, cada um, mesmo sem perceber, desempenha um papel importante dentro da grande engrenagem que é uma gira de Umbanda. Ser um "médium samambaia" (daqueles que ficam estáticos, parados e nem se mexem) não condiz com o que necessitamos para o bom desenvolvimento dos trabalhos. Tarefas aparentemente simples e espontâneas, como bater palmas são muito importantes para o bom andamento dos trabalhos. Faça a sua parte e terá um retorno espiritual maior.

Douglas Fersan

domingo, 31 de julho de 2016

O santo ritual da defumação - Douglas Fersan

O ato de defumar não consiste em simplesmente jogar ervas secas em um braseiro. É um ato de magia, portanto exige todo um critério, conhecimento e responsabilidade ao fazê-lo. Desde o momento de tratar e colher as ervas até escolher qual delas deve ser usada corretamente para cada fim, de que forma proceder durante a defumação... tudo isso faz parte da liturgia. Muitos se aventuram a sair defumando ambientes sem o devido conhecimento e os efeitos podem ser contrários ao esperado. O mesmo podemos dizer daqueles defumadores vendidos em tabletes em lojas de produtos de Umbanda, que não passam de serragem com alguma essência aromática. Queimar aquilo e um pedaço de papel tem o mesmo efeito, pois o elemento magístico simplesmente não existe nesse pseudo-ritual.
A Umbanda tem fundamento, é preciso preparar.

Douglas Fersan

terça-feira, 26 de julho de 2016

Uma lenda de Nanã - Douglas Fersan


Uma lenda em homenagem a Nanã, a mais velha dos orixás.

Quando alguém cometia algum crime na aldeia chefiada por Nanã, era amarrado a uma árvore a velha orixá mandava os eguns atormentá-los. Querendo esse poder para si, Oxalá foi visitar Nanã e lhe deu uma poção que a fez dormir. Então invadiu o jardim dos eguns e ordenou a eles que o obedecessem. Como ali só entrava quem tinha autorização de Nanã, os eguns passaram a obedecer Oxalá, mas quando ela despertou, ficou irada. Foi ao jardim e expulsou Oxalá de lá. Ela o perdoou, mas deixou claro que todo egum teria que passar primeiro pelo seu jardim, ali se purificar obedecendo as suas ordens, para só depois chegar a Oxalá. E assim foi feito. Mesmo sendo o maior dos orixás, Oxalá aprendeu a respeitar os domínios de Nanã.

Nanã de Burukê: a mais velha dos orixás.
Dia da semana: domingo.
Cores: lilás/roxo.
Saudação: Saluba Nanã (nos refugiamos em Nanã).
Ervas: manjericão roxo, colônia, quaresmeira, dama da noite, canela de velho, carobinha.
Bebida: champanhe.
Ponto de força: brejos, pântanos.
Filhos de Nanã: calmos, lentos, dignos, gentis, doces e mansos. Também são saudosistas, ranzinzas, autoritários, caseiros, sábios e justos.

Essa lenda é parte integrante do curso "Lendas dos Orixás", ministrado pelo Templo de Umbanda Lar de Preto Velho

sábado, 23 de julho de 2016

A causa da raiva - Douglas Fersan


Muitas vezes as pessoas nutrem a raiva e os sentimentos negativos diante da sua incapacidade de se nivelar ou superar aqueles que estão sob sua mira. E, com isso, acabam fazendo mal a si mesmo. Esse tipo de sentimento gera rugas, doenças psicossomáticas além expor publicamente a sua alma minúscula e a sua personalidade pobre e duvidosa. Para se livrar disso, o melhor remédio é tentar se superar, e não expor, ainda que de forma sutil, as suas baixas vibrações. Dicas de saúde mental e espiritual também se encontra na página Lar de Preto Velho.




Douglas Fersan