quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Salve Mamãe Oxum


Hoje, 08 de dezembro, é dia de Oxum. Deixamos aqui uma singela prece à orixá das águas doces, da prosperidade e do amor:

Oxum, dourada é tua luz, assim como é o outro que te pertence. Derrama a tua pureza cristalina, orixá das águas doces. Não permita que neblina alguma obscureça o meu desejo mais profundo, que é conseguir o amor mais verdadeiro, seguro, eterno e duradouro por toda a humanidade. Estás presente nas cachoeiras que são sagradas, portanto faz com que apague todo sentimento ruim que porventura brotar de mim. Não me deixei verter lágrimas por aqueles que desmerecem o amor, que não correspondem à verdadeira amizade e sentimento fraterno. Livrai-me, mãe, daqueles que se utilizam do teu nome e dos sagrados orixás para caluniar, difamar, intimidar e fazer mal uso do axé que carregam. Olhai por mim para que eu não seja mais um destes e caso um dia eu fraqueje, abre meus olhos com o brilho do teu ouro para que eu retorne ao caminho da retidão, ensinado por ti e pelos demais sagrados orixás.

Ora-yê-yê, Oxum.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Amarração: prática que difama a Umbanda - Douglas Fersan



No imaginário popular, quando se fala em Umbanda, muitos imediatamente pensam em práticas como amarração. Sem conhecer a Umbanda e a filosofia de respeito e amor que a norteia, imaginam que é comum entre os umbandistas usar os conhecimentos que adquirem e as energias que manipulam para obter e vender serviços como esse.

A verdade é que a Umbanda trabalha dentro dos princípios da Lei de Deus e, sendo que o próprio Criador respeita o livre arbítrio e suas criaturas, seríamos nós tão arrogantes a ponto de trabalhar para interferir nesse livre arbítrio?
E mais, sendo conhecedores da inevitável lei do retorno, seríamos tão pouco inteligentes a ponto de estabelecer essa dívida e ligações que mais tarde nos seriam cobradas?

Não se trata aqui de negar a existência da prática. Ela existe sim, e muita gente se aproveita disso para obter favores pessoas, extorquir verdadeiras fortunas daqueles que as procuram desesperadas. Essas pessoas usam o nome dos santos orixás para vender seu "produto", usam o nome da sagrada Umbanda, quando na verdade estão trabalhando com energias negativas, densas para atingir o campo energético daqueles que se encontram mais fracos e assim manipular sua vontade e sua vida. Mas que fique bem claro: isso não é Umbanda e esses aproveitadores não são umbandistas.

Nós, umbandistas, não somos perfeitos, cometemos erros comuns, como qualquer ser humano comete no dia a dia, mas não usamos o nome da nossa sagrada religião para praticar o mal, obter vantagens pessoais e extorquir os leigos. Quem age assim não pode e não deve usar o rótulo de umbandista. Como diz o velho jargão, Umbanda é coisa séria para gente séria.

Douglas Fersan

terça-feira, 15 de novembro de 2016

108 anos de Umbanda - Douglas Fersan


Há 108 anos, numa casinha simples do subúrbio do Rio de Janeiro, era anunciada oficialmente a fundação da Umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do médium Zélio Fernandino de Moraes.

O culto aos orixás, as práticas ritualísticas, os conselhos dos pretos velhos e a ajuda dos exus já existia havia tempo, mas essa data tornou-se especial por oficializar perante a sociedade algo que já existia e que no entanto era marginalizado.

As portas foram abertas a todos os espíritos que quisessem trabalhar na prática do bem, independente de sua origem. Não era mais necessário ser doutor ou poeta, francês ou alemão, para trabalhar na caridade. Africanos, índios e até crianças encontraram a oportunidade de trabalhar fazendo o bem, espalhando o amor e a fé.

Tudo começou naquele casebre. E a prática continua acontecendo em vários casebres igualmente humildes, pois a Umbanda dispensa luxo e ostentação. Ela pede apenas fé, amor e honestidade. Isso basta... vamos praticar?

Douglas Fersan

domingo, 13 de novembro de 2016

Ser umbandista é cansativo - Douglas Fersan



Como é difícil ser umbandista.

Numa primeira visita a um terreiro as pessoas costumam se deslumbrar com o espetáculo que assistem - sim, porque para muitos soa como um espetáculo.  E nesse deslumbre resolvem aderir à religião.

Toda religião, quando levada a sério, requer entrega. E aí reside o problema, pois nem sempre se leva a sério o que merece tanta seriedade.  Ao primeiro arrepio o sujeito já acha que está incorporando suas entidades.  E mais: acha que a suposta entidade possui força e sabedoria acima das demais, que já trabalham com seus cavalos há tanto tempo no terreiro.

E quem leva a Umbanda a sério olha isso, muitas vezes se cala para evitar intrigas, mas se magoa.

O neófito procura o pai ou mãe da casa a todo instante, pelas coisas mais fúteis, para tirar as dúvidas mais triviais.  Mas com alguns poucos mesas na gira, já se acha no direito de criticar o dirigente e até suas entidades.

E quem leva a Umbanda a sério olha isso, muitas vezes se cala para evitar intrigas, mas se magoa.

Alguns mal sabem acender uma vela, mas recorrem ao "Pai Google de Oxalá" e fazem as mais estapafúrdias mazelas espirituais e acha que já tem conhecimento para criticar os mais experientes.

E quem leva a Umbanda a sério olha isso, muitas vezes se cala para evitar intrigas, mas se magoa.

Muitas vezes o médium em desenvolvimento não consegue resolver nem os próprios problemas, mas já usa o sagrado nome da Umbanda e dos orixás para resolver as intrigas pessoais e até intimidar pessoas de seu convívio.

E quem leva a umbanda a sério olha e isso e começa a acreditar que já não mais deve se calar.

Conselhos são dados.  Os mais velhos, experientes e o (a) dirigente da casa e suas entidades tentam sutilmente avisar que a pessoa está trilhando um caminho tortuoso, mas ela se faz de desentendida.

E quem leva a Umbanda a sério - em especial o (a), já não aguentando mais que usem o nome de sua sagrada crença para fins profanos, coloca a pessoa no seu devido lugar.

Aí essa pessoa deixa a casa, cuspindo no prato em que comeu, maldizendo e todos e reclamando que não foi acolhida e que faltou paciência com seu aprendizado.

E quem leva a Umbanda a sério respira fundo e parte para uma nova missão, mesmo sabendo o que o seu prêmio pode ser a maledicência e a ingratidão.  Às vezes cansa ser umbandista.

Douglas Fersan

domingo, 11 de setembro de 2016

A simplicidade é o grande segredo - Douglas Fersan

A simplicidade é o grande segredo.
Quando nos entregamos de coração aberto e desprovidos de sentimentos negativos, os trabalhos dentro de um terreiro de Umbanda tendem a ser tornar eficazes. Tomemos como exemplo os pretos velhos, as entidades mais humildes e sábias que se manifestam em terra. Mesmo já tendo sofridos horrores desde a separação de seus ancestrais da terra-mãe, hoje deixam toda a mágoa, toda a dor, todo o sofrimento e tudo aquilo que - até com certa justificativa - poderia travar o seu processo de evolução.

Mas preferem deixar toda essa carga de sentimentos negativos para trás e praticar a caridade pura e desinteressada. Humildemente se apresentam nos terreiros para aconselhar e curar as dores do corpo e da alma de pessoas que variam desde doutores até os mais simples agricultores. 

Conseguem isso justamente por abdicar dos desejos de vingança e rancor e, ao praticar a caridade e o perdão, sobem cada vez mais rapidamente os degraus da evolução.

Que sejam exemplos para todos nós, ainda tão imperfeitos e mesquinhos.

Douglas Fersan

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Quem ama liberta - Douglas Fersan

  Provavelmente a tarefa mais difícil na estrada da evolução é a prática do desapego. Nos apegamos às coisas materiais - dinheiro, objetos - além das ilusões de poder e de status. Mas existe também o apego afetivo, que ocorre dos dois lados: de quem fica e de quem vai. Todos passamos por momentos em que temos que nos separar daqueles a quem amamos e isso nos causa sofrimento, e que fique claro, sofrer é um direito que temos. No entanto, como pessoas espiritualizadas não podemos deixar que o nosso sofrimento se torne um obstáculo prendendo aqueles que partiram. Ao fazer desse sentimento um obstáculo, criamos um elo que impede a paz e a evolução de nossos entes queridos que se foram e, sem perceber regredimos também. 

  Sem perceber criamos (eles e nós) um círculo assombroso de lamúrias e prisões afetivas, o qual não merecemos e não nos faz bem.

  De onde estão, os que partiram sentem nossa angústia e não conseguem seguir em sua caminhada. Sofrer é um direito, amar é uma dádiva e libertar quem amamos é um ato de sabedoria.

Douglas Fersan

domingo, 28 de agosto de 2016

Você compreende Exu? - Douglas Fersan



Contam os antigos que um homem caminhava pelas ruas cheio de ira. Havia brigado em casa, não estava feliz com o trabalho e desejava todo tipo de mal e de vingança para os seus desafetos. Procurava uma encruzilhada, pois ali depositaria uma "oferenda" que haviam lhe ensinado para acabar com os inimigos. E assim o fez assim que achou uma encruzilhada escura e longe de olhares curiosos. Pediu que seus inimigos fossem destruídos e que sua mulher, com quem tivera uma briga feia, tomasse um corretivo. Após o despacho saiu de lá ainda mais irado, pois um bando de obsessores invisíveis que transitava pelo local assistiu à cena e o acompanhou a fim de se divertir atrapalhando ainda mais a sua vida. Na encruzilhada ficou o lixo depositado, pois era um trabalho sem fundamento algum. Ficou também Exu, o verdadeiro dono do lugar, lamentando pela mesquinhez da alma humana, pois aquele cidadão poderia, no lugar de desejar o mal e a vingança, pedir evolução, paciência e sabedoria para resolver seus problemas. "Os encarnados ainda têm muito o que aprender sobre nós" - lamentou o Exu.

Douglas Fersan