quinta-feira, 12 de março de 2009

O casamento na Umbanda


Ao contrário do que muitos pensam – talvez influenciados pelo senso comum, que atribui somente a religiões ditas cristãs, em especial o Catolicismo, um caráter oficial – na Umbanda também existem sacramentos, tais como o batismo e o casamento. No entanto, a realidade é que poucos daqueles que se dizem umbandistas sabem disso ou, se sabem, não atentam para a importância de seguir os sacramentos dentro da religião que escolheu e que os acolheu.
Seria isso um desprezo pela própria religião? Ou uma forma de minimizar a importância daquilo que escolheu para si e que deveria nortear sua vida?
Talvez nem uma coisa nem outra. O fato é que, por diversos motivos, muitos deles históricos e outros tantos sociais, o próprio umbandista busca em outras religiões, como já foi dito, especialmente no Catolicismo, a oficialização de momentos importantes de suas vidas. É como se algumas situações exigissem o crivo católico, tradicional e bem quisto, para legitimar-se. É como se a Umbanda, apesar de toda a sua história de luta e resistência, não bastasse para sacramentar os momentos decisivos da vida de seus filhos. É como se o próprio umbandista não reconhecesse na Umbanda a sua autoridade espiritual.
A realidade é que muitos segmentos da sociedade ainda enxergam a Umbanda como um religião de pobres e desprovidos de cultura – note o ranço de preconceito – e, assim, ainda buscam em instituições que julgam oficiais, os sacramentos que facilmente encontrariam dentro da Umbanda.
Por outro lado, não há como atirar pedras naquele que realiza o casamento em outra religião, justamente porque ainda existe esse preconceito em torno das religiões que possuem um de seus pilares na África. Experimente alguém, de família não umbandista, realizar o seu enlace matrimonial dentro de um terreiro.
Quantos convidados comparecerão?
E, daqueles que comparecerem, quantos estarão ali realmente de coração (e mente) aberto ao ritual?
Quantos buscarão os pretextos mais fúteis para não comparecer?
E quais serão os comentários daqueles que comparecerem, após o ritual?
Ao final das contas, perante a sociedade, é como se o casamento não tivesse acontecido, por isso é compreensível que as pessoas, mesmo se dizendo umbandistas, procurem realizar seus casamentos dentro daquelas religiões que arriscamos chamar de mais tradicionais, mas que são, na realidade, mais aceitas pela sociedade. Concluímos assim que esses acontecimentos são mais sociais do que religiosos: trata-se da formalização de um rito de passagem, que assim sendo, necessita daquilo que é cobrado informalmente pela sociedade, e não daquilo que o coração e alma pedem.
Já é passado do momento do umbandista assumir sua religião em toda plenitude que ela pede e merece, fazendo valer os sacramentos, liturgias e tradições que a caracterizam. Embora seja sabido que a sociedade ainda possui fortes raízes no catolicismo (mesmo aqueles que não se declaram católicos), é importante ao umbandista fazer da Umbanda a sua filosofia de vida, sem medo ou vergonha, como forma de chamar para si e para seus irmãos-de-fé o respeito que tanto clamamos por anos e anos.


Douglas Fersan
Março de 2009

6 comentários:

Luiz L. Marins disse...

DE LUIZ MARINS,

PARA DOUGLAS FERSON

Como fui covardemente expulso da comunidade Amigos, Umbanda e Espiritimso no orkut, sem nenhuma chance de defesa, venho faze-la aqui.

Tenho sim, amigos homosexuais, ótimas pessoas, mas que condenam eles mesmos o casamento gay debaixo do sacramento da Umbanda.

Não tenho nenhum preconceito, mas não há nenhum embasamento nos fundamentos da Umbanda para tal postura.

Não sou um Fake, o meu nome é este mesmo: Luiz Marins.

Se quiser visitar minha página:
www.luiz.rg3.net

Se quiser visitar o GRUPO ORIXAS:
www.orixas.rg3.net

Sou uma pessoa verdadeira e não tenho medo do debate respeitoso, pois faz parte da democracia a diferença de opiniões.

Infelismente não parece ser o lema adotado por V.Sria.

Douglas Fersan disse...

Caro Senhor Luiz Marins.

O senhor foi expulso sim de uma comunidade, mas não covardemente. Isso foi apenas reflexo de sua postura e despreparo para o debate respeitoso, já que não soube defender suas idéias de maneira civilizada, partindo então para agressões verbais e ofensas contra aqueles que não concordavam com seu posicionamento. O debate respeitável é um dos princípios da democracia.

Covarde é o preconceito, a homofobia, principalmente a velada, disfarçada sob o infantil argumento de que "tenho amigos homossexuais" - como se isso bastasse para anular qualquer argumento preconceituoso proferido.

O senhor diz que a democracia parece não ser o meu lema. A realidade é que talvez não tenhamos o mesmo conceito de democracia. Eu acredito na democracia com responsabilidade e respeito às diferenças (essa é a democracia que defendo e que é meu lema). Outros confundem democracia com a banalização do "TUDO PODE", com libertinagem e desrespeito, atirando pedras para todos os cantos e, o que é pior, acusando de autoritários aqueles que pensam diferente. Essa democracia infantil, irresponsável e imatura realmente não é meu lema.

Quanto a visitar sua página, agradeço o convite, mas o dispenso totalmente. Quanto ao senhor, pode continuar visitando minha página e meu blog, é sempre um prazer saber que as pessoas vem aqui trazer seu conhecimento e aprender um pouco também.

Ah.. e antes que eu esqueça, sou o Douglas FERSAN e não FERSON.

Abraços.

Danilo disse...

é a primeira vez que eu vejo preconceito na umbanda sendo que os ''espiritas'' tem uma versao para explicar o homosexualismo. e sabem que nao é doença e nem falta de vergonha na cara.

luizlmarins disse...

Sr. Ferson,

Reitero que minha postura foi digna e sou uma pessoa preparada para o debate respeitoso.

Defendi minhas ideias de forma civilizada e jamais agride a ninguém, de qualquer forma.

Entretanto, tenho o direito de pensar diferente do Senhor, e se isto constitui para o Sr. uma agressão, neste caso, lamento.

A democracia deve respeitar não a minha opinião ou a vossa, mas sim a opinião da maioria.

Fui expulso de sua comunidade sem direito a defesa, apenas por que manifestei uma opinião contrária à vossa. Se isto não ditadura, o que é então?

Apenas para relembrar, a opinião que coloquei e da qual o Sr. não gostou gerando minha expulsão, foi, que não concordo com o casamento homosexual na religião ... frisando: na religião, e em qualquer religião.

Isto não caracteriza homofobia, como citou o Sr. Procure informa-se melhor do significado desta palavra sob as vistas jurídicas.

Entretanto, na área cívil, sou amplamente favorável ao reconhecimento da união estável entre homosexuais, o que lhes garante o direito pleno de cidadão.

A liturgia do casamento homosexual não pode ser imposta a uma sociedade religiosa, sem consultar-lhes o desejo de faze-las ou não.

Há os que são a favor ... eu sou contra.

Debates sobre orientação sexual e casamento no ambiro da religião não caracteriza homofobia.

Permita-me atualizar o endereço de nossa biblioteca de consulta on-line: www.orixa.rg3.net

Caso deseje, pode solicitar a inscrição que será aceito sem rancores.

Sinceramente,

LUIZ L. MARINS
(luizlmarins@hotmail.com)

Luiz Marins disse...

Peço licença para atualizar o endereço do GRUPO ORIXAS, a saber:

http://grupoorixas.wordpress.com

Luiz Marins disse...
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