terça-feira, 23 de julho de 2013

Saluba Nanã Buruquê - por Douglas Fersan (republicação)



Comemora-se, tradicionalmente em 26 de julho, o dia de Nanã Burukê, a mais velha das orixás. A velha iabá, de originária do Daomé (atual Benin) e sincretizada com Sant’Ana, teria recebido do “Orun” (mudo espiritual), a tarefa de reger a lama. Num primeiro momento, isso pode parecer até mesmo uma informação supérflua, sem utilidade alguma, no entanto, um estudo mais minucioso sobre as características dessa iabá nos revela muita coisa.

A lama representa a união das águas com a terra, portanto, a junção de dois importantes reinos da natureza, responsáveis inclusive pela criação e preservação da vida tal qual conhecemos. O equilíbrio proveniente da união dessas duas forças naturais nos remete diretamente ao arquétipo de Nanã Buruquê, marcado pela seriedade, sabedoria, experiência, serenidade e ponderação dos mais velhos. Mas, é dos mais velhos também que carrega consigo a teimosia e a obstinação, chegando a ser intransigente em suas opiniões. Prova disso é que foi a única entre todos os orixás a não reconhecer a supremacia de Ogum sobre o reino dos metais.

Contam as itans (lendas africanas sobre os orixás) que quando Oxalá recebeu de Olurum a tarefa de criar os homens, tentou fazê-los a partir do ar (mas eles desmancharam-se no vento), do fogo (porém eles rapidamente pereceram, devido ao caráter efêmero desse elemento), da água (tentativa que falhou, pois eles evaporavam), da terra (mas eles ficavam duros, imóveis), até que Nanã veio em seu auxílio e apresentou-lhe a lama, material a partir do qual todos os homens foram moldados com sucesso. Assim, a velha orixá está ligada ao princípio da criação, da própria vida. Mas assim como deu a matéria para dar início à vida, Nanã a quer de volta após a ela esgotar-se. Dessa forma, associa-se Nanã também ao fim, à própria morte.

Portanto, Nanã Buruquê é a orixá da vida e da morte. Deu a vida com a sua lama abençoada, e acalenta os mortos na sua terra fofa, tal qual o útero materno, até que sejam decantados para voltar à vida (reencarnação). No entanto, a morte não representa o fim de tudo. Para os que acreditam na sobrevivência do espírito após o fim do corpo material, a morte representa o início de uma nova etapa, de um novo aprendizado, é um recomeço – fato esse que Nanã nos possibilita através do seu encantamento.

Pelo seu caráter sério e austero, Nanã Buruquê é um dos orixás mais respeitados nos cultos de Umbanda e Candomblé. A ela deve-se dá o tratamento respeitoso que os idosos merecem, reverenciando sua autoridade e sabedoria. A saudação “Saluba Nanã” (originalmente "Sálù bá Nàná"), entoada pelos filhos-de-fé quando essa venerável iabá adentra os terreiros significa “nos refugiamos em Nanã”, nos mostrando a outra face dessa senhora: a avó carinhosa, sempre disposta a abrigar os filhos e netos em seu colo macio e aconchegante.

Em 26 de julho comemoramos o dia de Nanã Buruquê. Que a bondosa iabá derrame suas bênçãos sobre cada um de nós, nos dando a sua serenidade, sabedoria e tolerância, para que possamos olhar nossos irmãos com olhos mais benevolentes e tolerantes, construindo assim uma cultura de paz.

Saluba Nanã.

Douglas Fersan

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Um comentário:

Luz13 disse...

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