terça-feira, 18 de maio de 2010

Censo 2010 - Sou umbandista sim!!!




Estou repassando esta informação pelo grau de importância do Censo
para todos nós umbandistas, pois esperamos neste Censo - 2010
fazer a diferença. Estamos todos envolvidos em campanhas para conscientização
de que não somos católicos, nem espiritas. SOMOS UMBANDISTAS !!!
E vamos mostrar neste Censo que temos ORGULHO DE SER UMBANDISTA.
Segue abaixo informações sobre o Censo que começa em 1º de Agosto.
Parece que está longe, mas o importante é que este tema, Censo - 2010,
permaneça presente em nossas mentes e inspirando assuntos para que
mais e mais umbandistas passem a falar da importância de assumir a
identidade umbandista. E claro responder Sou Umbandista !!!
Quando alguém lhe perguntar qual a sua religião.

Alexandre Cumino - Sacerdote Umbandista

05/05/2010 - 11h56

Censo 2010 começa em 1º de agosto e poderá ser feito pela internet;
custo chega a quase R$ 2 bilhões


Do UOL Notícias*

Em São Paulo


O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou nesta quarta-feira (5), em Brasília, que os brasileiros começam a preencher os formulários do Censo 2010 em dia 1º de agosto, que terá um custo total de quase R$ 2 bilhões. Pela primeira vez, o censo será totalmente informatizado, e os entrevistados poderão optar por responder as perguntas pela internet. O último censo foi realizado em 2000.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), órgão responsável pelo censo, dividirá todo o território brasileiro em 314 mil setores, cada um sob responsabilidade de um recenseador. Serão distribuídos 230 mil equipamentos de mão, pelos quais os recenseadores irão coletar as informações dos entrevistados e enviá-las a um computador central. Após o censo, os equipamentos deverão ser doados para escolas.

Se o entrevistado preferir, poderá responder as perguntas via web, mas mesmo assim terá que receber em casa o recenseador, que irá lhe informar uma senha de acesso e dará as orientações de como transmitir as informações. Segundo o ministro, contudo, a coleta de dados pela internet encontrará dificuldades em muitos lugares do país onde não há conexão de banda larga. Outra preocupação do ministério é em torno de um possível receio da população em receber os recenseadores em casa.

“Vamos ter que fazer uma campanha de conscientização, talvez envolvendo até o presidente Lula, para que as pessoas entendam qual é o papel do recenseador e os recebam bem. Às vezes as pessoas ficam desconfiadas, mas eles (os recenseadores) terão crachá, número, identificação, colete e boné”, afirmou Bernardo em entrevista coletiva.

De acordo com Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE, todos os 58 milhões de domicílios brasileiros serão visitados. Atualmente, segundo Nunes, 23 mil agentes do instituto já estão nas ruas fazendo um inventário dos domicílios. A expectativa é de que até o final de 2010 sejam divulgados os dados mais básicos, como o tamanho da população, sexo, cor e a estrutura etária.

“Coletarmos informações das características dos domicílios, relações de parentesco, fecundidade, educação, renda, cor, raça, religião, línguas faladas, entre outras. Essas informações vão permitir, dentre outras coisas, definir o número de vereadores e os repasses aos municípios”, diz Nunes.

De acordo com o IBGE, o Censo terá dois tipos de questionários. O mais simples, com cerca de 15 perguntas, será direcionado à maioria dos cidadãos, que levarão de 10 a 15 minutos para respondê-lo. Já o questionário do tipo amostra será respondido apenas por parte das pessoas e terá mais de 100 perguntas. Neste caso, o tempo da entrevista será de 30 a 40 minutos.

*Com informações da Agência Brasil

domingo, 7 de março de 2010

Eu sou Umbandista - por Etiene Sales.




Eu sou Umbandista...Mas o que é isso? O que é ser Umbandista?
É não ter vergonha de dizer: "Eu sou Umbandista".
É não ter vergonha de ser identificado como Umbandista.
É se dar,acima de tudo a um trabalho espiritual.
É saber que um terreiro,um centro, uma casa de Umbanda é um local espiritual e não a Religião de Umbanda em seu todo, mas todos os terreiros,centros e casas de Umbanda, representam a Religião de Umbanda.
É saber respeitar para ser respeitado,é saber amar para ser amado,é saber ouvir para ser escutado,é saber dar um pouco de si para receber um pouco de Deus dentro de si.
É saber que a Umbanda não faz milagres,quem os faz é Deus e quem os recebe os mereceu.
É saber que uma casa de Umbanda não vende nem dá salvação,mas oferece ajuda aos que querem encontrar um caminho.
É ter respeito por sua casa, por seu sacerdote e pela Religião de Umbanda como um todo: irmandade.
É saber conversar com seu sacerdote e retirar suas dúvidas.
É saber que nem sempre estamos preparados. Que são necessários sacrifícios,tempo e dedicação para o sacerdócio.
É entrar em um terreiro sem ter hora para sair ou sair do terreiro após o último consulente ser atendido.
É mesmo sem fumar e beber dar liberdade aos meus guias para que eles utilizem esses materiais para ajudar ao próximo, confiando que me deixem sempre bem após as sessões.
É me dar ao meu Orixá para que ele me possua com sua força e me deixe um pouco dessa força para que eu possa viver meu dia-a-dia numa luta constante em benefício dos que precisam de auxílio espiritual.
É sofrer por não negar o que sou e ser o que sou com dignidade, com amor e dedicação.
É ser chamado de atrasado, de sujo,de ignorante, conservador, alienígena,louco. E ainda assim,amar minha religião e defendê-la com todo carinho e amor que ela merece.
É ser ofendido físico,espiritual e moralmente, mas mesmo assim continuar amando minha Umbanda.
É ser chamado de adorador do Diabo, de Satanás, de servo dos encostos e mesmo assim levantar a cabeça,sorrir e seguir em frente com dignidade.
É ser Umbandista e pedindo sempre a Zambi para que eu nunca esteja Umbandista.
É acreditar mesmo nos piores momentos,com a pior das doenças,estando um caco espiritual e material,que os Orixás e os guias,mesmo que não possam nos tirar dessas situações, estarão ali, ao nosso lado,momento a momento nos dando força e coragem; ser Umbandista é acima de tudo acreditar nos Orixás e nos guias, pois eles representam a essência e a pureza de Deus.
É dizer sim, onde os outros dizem não!
É saber respeitar o que o outro faz como Umbanda, mesmo que seja diferente da nossa, mas sabendo que existe um propósito no que ambos estão fazendo.
É vestir o branco sem vaidade.
É alguém que você nunca viu te agradecer porque um dos seus guias a ajudou e não ter orgulho.
É colocar suas guias e sentir o peso de uma responsabilidade onde muitos possam ver ostentação.
É chorar, sorrir, andar,respirar e viver dentro de uma religião sem querer nada em troca.
É ter vergonha de pedir aos Orixás por você,mas não ter vergonha de pedir pelos outros.
É não ter vergonha de levar uma oferenda em uma praia ou mata,nem ter vergonha de exercer a nossa religiosidade diante dos outros.
É estar sempre pronto para servir a espiritualidade, seja no terreiro,seja numa encruza, seja na calunga,seja no cemitério, seja na macaia,seja nos caminhos. Seja em qualquer lugar onde nosso trabalho seja necessário.
É se alegrar por saber que a Umbanda é uma religião maravilhosa,mas também sofrer porque os Umbandistas ainda são tão preconceituosos uns com os outros.
É ficar incorporado 5, 6 horas em cada uma das giras, sentindo seu corpo moído e ao mesmo tempo sentir a satisfação e o bem estar por mais um dia de trabalho.
É sentir a força do zoar dos atabaques, sua vibração, sua importância, sua ação, sua força dentro de uma gira e no trabalho espiritual.
É arriar a oferenda para o Orixá e receber seu Axé.
É ver um consulente entrar no terreiro chorando e vê-lo mais tarde sair do terreiro sorrindo.
É ter esperança que um dia, nós Umbandistas,acharemos a receita do respeito mútuo.
É ser Umbandista mesmo que outros digam que o que você faz, sua prática,sua fé, sua doutrina, seu acreditar, sua dedicação, seu suor, suas lágrimas e sacrifício, não sejam Umbanda.
É saber que existe vaidade mesmo quando alguém diz que não têm vaidade: vaidade de não ter vaidade.
É saber o que significa a Umbanda não para você,mas para todos.
É saber que as palavras somente não bastam. Deve haver atitude junto com as palavras: falar e fazer,pensar e ser,ser e nunca estar.
É saber que a Umbanda não vê cor, não vê raça, não vê status social, não vê poder econômico, não vê credo. Só vê ajuda,caridade, luta, justiça, cura, lágrima… e bom,mal e bem...Os problemas,as necessidades e a ajuda para solucionar os problemas de quem a procura.
É saber que a Umbanda é livre; não tem dono, não tem Papa, mas está aí para ajudar e servir a todos que a procuram.
É saber que você não escolheu a Umbanda, mas que a Umbanda escolheu você.
É amar com todas as forças essa Religião maravilhosa chamada Umbanda.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Brasil é denunciado junto a ONU por intolerância e ditadura religiosa



A yaloriyá Gilda morreu de infarto fulminante em 1999 depois que membros de uma igreja neopentecostal (Universal do Reino de Deus) invadiram seu templo e a acertaram na cabeça com uma Bíblia. É a imagem mais crua e sintética da intolerância religiosa que cresce no Brasil e que acaba de ser denunciada na Organização das Nações Unidas. Este sectarismo se expressa especialmente contra as religiões de origem africana, como no caso da sacerdotisa do candomblé Gilda, segundo o informe que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) entregou esta semana a Martin Uhomoibai, presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Mas, também se manifesta contra outros cultos, como o judeu, o católico, o espírita e o muçulmano.


O documento apresentado por uma comissão multissetorial e de diferentes credos, relatando 15 casos atendidos pela CCIR em quatro Estados brasileiros, acusa das agressões, perseguições e propagação da intolerância religiosa as igrejas neopentecostais, especialmente a Igreja Universal do Reino de Deus. No discurso de captação de fieis dessas igrejas, que se baseiam na “satanização” das religiões afro-brasileiras, também “os judeus se converteram nos “assassinos de Cristo”, católicos em “idólatras de demônios”, protestantes históricos são acusados de “falsos cristãos” e muçulmanos de “demoníacos” por seguir Maomé e não Jesus”, diz o documento.
A comissão foi criada há pouco mais de um ano e está formada por 18 instituições religiosas e defensoras dos direitos humanos, como a Federação Israelita do Rio de Janeiro, a Congregação Espírita de Umbandistas do Brasil e outras vinculadas às religiões protestante, católica, muçulmana, candomblé, budistas e grupos ciganos e indígenas. A CCIR surgiu da “necessidade cada vez mais urgente de defesa dos religiosos de origem africana, frente aos processos de aniquilamento e demonização de suas práticas religiosas”, explica o documento entregue à ONU.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O encanto dos Orixás - Por Leonardo Boff




Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuína brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.
O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.
O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento incessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso país criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe-Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteísmo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.
A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.
Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York, que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos, elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título: O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T.S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.
Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem, também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.
Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.

* Teólogo, autor de Meditação da Luz, o caminho da simplicidade. Vozes 2009.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O que é a paz - por Jairo Pereira Junior



“A paz
Invadiu o meu coração
De repente se encheu
De Paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão...”
(Gilberto Gil)

A música de Gilberto Gil descreve sobre as sensações provocadas pela paz, mas o que é ela realmente? Onde encontrá-la? Por que persegui-la?

Entendo que a paz não invade nosso coração e sim transborda dele. E tão e somente depois de transbordar é capaz de senti-lo totalmente cheio novamente. Digo isso, por que aquele que procura essa palavrinha de três letras em outros locais senão dentro de si mesmo está procurando no lugar errado.

Quantas vezes dizemos aos outros para que nos deixem em paz? Quantas vezes nos perguntamos por que não vivemos num mundo de paz? Por quantas vezes nos perguntamos se a paz realmente existe?

Esteja certo de que ela existe e que qualquer que seja sua crença ou religião ela não virá de fora para dentro. Ela justamente só é possível se vir de dentro para fora. Inundar seu coração a ponto de transbordar e só assim, você sentirá ele repleto.

A paz não fazer nada. A paz não ficar de penas para cima. A paz não é não ter nenhum tipo de aborrecimento. Ter paz é estar bem consigo e com os outros. Estar em paz é estar em equilíbrio consigo e com o mundo que o cerca. Ficar em paz é ficar em harmonia com a natureza e com as pessoas que convivemos todos os dias ou eventualmente.

A paz não é inerte. A paz é movimento. Sendo assim ela deve ser perseguida diariamente. Não espere que ela chegue até você. Vá buscá-la. Não se acomode esperando tudo passar para ter paz. Faça algo para que tudo passe e assim você irá de encontro a ela.


Esta mensagem não é por que estou em paz neste momento e sim por que neste momento estou perseguindo a minha paz.


Jairo Pereira Jr. - 2010
Professor de Economia e Matemática
36 anos, casado, 2 filhos e Umbandista

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A niveladora Social - por Douglas Fersan



O orgulho é um dos maiores venenos para a alma e um grande obstáculo na estrada do crescimento moral e espiritual. Uma verdadeira armadilha pronta a laçar os incautos, quando permitem que seu ego lance sombra obscura sobre as lições éticas e morais que deveriam ser aprendidas por todo ser humano.
Viver em uma sociedade capitalista impõe vícios culturais que absorvemos sem perceber. O verbo “ter” adquire superdimenção sobre o verbo “ser”, pois o poder aquisitivo tornou-se fator primordial para que alguém conquiste o respeito a que todos deveria ser dispensado. As pessoas são julgadas pelo que têm, e não pelo que são. Viemos em uma sociedade extremamente materialista e amoral, na qual princípios básicos de convivência tantas vezes são ignorados em favor de postura orgulhosa e hipócrita, pois nem sempre aquela que sobe em um pedestal possui cacife para mantê-lo por muito tempo.
Estamos todos, porém, suscetíveis aos revezes da vida, pois a colheita implacável não nos dá opção: ela fatalmente chega sem perguntar se a desejamos ou não. Certa de que a plantamos, ela se impõe como algo que nos pertence.
É na tristeza que todos se igualam. É na doença, no infortúnio, na morte, no inesperado que nossos olhos morais finalmente se abrem para a dura realidade de que somos tão seres humanos quanto o vizinho ao lado. Em momentos de necessidade nos damos conta do quanto somos frágeis frente à vida – não que essa seja cruel, mas é justa como o oxé de Xangô.
Desesperados diante da dor, retornam à sua mísera condição humana e partem em busca de soluções. É quando, geralmente, batem à porta dos mais diversos templos religiosos.
Alguns desses templos atendem prontamente os infortunados, outros usam toda espécie de artifício para obter vantagens, pois sabem muito bem que pessoas fragilizadas são facilmente sugestionadas e induzidas à dependência psicológica de sacerdotes que não trabalham em benefício do seu semelhante, e sim de seus interesses escusos.
A Umbanda, nessas situações, funciona como uma grande niveladora social.
Desventurados de todos os tipos procuram os terreiros, onde são atendidos independente de sua condição social. Doutores, alfaiates, babás, engenheiros, professores, todos recebem o mesmo tratamento e todos, independente da conta bancária ou do diploma que ostentam embolorado em suas paredes, recebem o mesmo tratamento, porque para a Umbanda não importa o que as pessoas têm, e sim o que carregam no coração. A Umbanda fará por todos que baterem à sua porta, pois é a manifestação da caridade, e para ela não existem pobres ou ricos, doutores ou analfabetos. Doutores se curvam para ouvir os conselhos de um preto velho.
E ao final, quando os problemas estiverem resolvidos, muitos daqueles que antes estavam desesperados darão as costas aos terreiros e até evitarão falar que um dia pediram ajuda a um caboclo ou a um exu, mas em seu íntimo saberão que quando, novamente, seu calo apertar, as portas dos terreiros de Umbanda ainda estarão abertas a eles.

Douglas Fersan
Fevereiro de 2010.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pense no Haiti, reze pelo Haiti



O início desse ano, 2010, foi marcado por uma violenta tragédia que voltou as atenções mundiais para uma república de negros, paupérrima e sem grande importância para a economia global. Só assim os olhos do mundo lembraram-se daquele pequeno país, que divide as fronteiras da ilha de São Domingos com a República Dominicana.
Sendo o primeiro país a libertar os negros da escravidão, em 1794, parecia que a história do Haiti seria uma sucessão de conquistas pela liberdade (o governo haitiano chegou a fornecer ajuda financeira e militar a Simon Bolívar, que em troca, se comprometeu a abolir a escravidão nas colônias que conseguisse libertar), mas não foi isso o que aconteceu. Mesmo após sua independência, em 1804, passou a sofrer retaliações (como o embargo econômico de 60 anos, imposto pelos Estados Unidos), que comprometeram seriamente sua economia e seu desenvolvimento.
A liberdade tão sonhada também parecia distante. Os governos haitianos não apresentavam qualquer compromisso com a democracia ou com os interesses do povo. O período mais cruel de ditaduras no Haiti ocorreu entre 1957 e 1988, quando o país foi governado pelo médico François Duvalier e, depois, pelo seu filho Jean-Claude Duvalier, conhecidos respectivamente como Papa Doc e Baby Doc.
Mais tarde, em 1990, num fato que parecia imprimir ares democráticos ao país, foi eleito para a presidência da república, Jean-Bertrand Aristide, um padre ligado à teologia da libertação. O sonho durou pouco: em 1991 Aristide foi deposto por um golpe de Estado.
O início do século XXI marca a história haitiana com uma nova tragédia: o terremoto ocorrido em janeiro desse ano, que deixou ao menos 150 mil mortos (números oficiais). Rapidamente o governo brasileiro, que já mantinha tropas de paz no país, manifestou sua solidariedade. A comunidade internacional também não demorou a se manifestar.
Mas um fato em especial se destaca em meio a esse acontecimento trágico: adeptos de alguns segmentos religiosos parecem se valer dessa tragédia para manifestar sua intolerância, proferindo absurdos sem tamanho. Sem qualquer pudor, dizem que o Haiti foi vítima desse terremoto porque Deus se voltou contra seu povo, que em grande parte é adepto da religião conhecida como vodu. Esses oportunistas de plantão, ao invés de honrar o título de cristão que ostentam, preferem vomitar sua ignorância covarde sobre um povo sofrido, cujo “mal” foi apenas manter vivas suas tradições.
Estamos todos sujeitos a tragédias naturais. Placas tectônicas movem-se independente da religão pratica pelo povo.
As tragédias humanas, quase sempre provocadas pela intolerância e pela ignorância, causam estragos maiores, pois não se limitam a uma tarde de terremotos, perduram por décadas e às vezes até séculos, causando muito mais mortes que as catástrofes naturais. Basta conferir o número de mortos causados pelas Cruzadas, pela inquisição católica, pela inquisição protestante, pela prática covardade da escravidão, pelo holocausto... São tragédias impulsionadas por homens desprovidos de qualquer senso humanitário. Homens que certamente apontariam hoje para o povo do Haiti, afirmando categoricamente que seu sofrimento é causado pelo culto que praticam aos seus ancestrais africanos. Homens que certamente usariam a força para impedir que cultos diversos do seu fossem praticados. Homens que certamente reativariam uma inquisição, caso lhes fosse permitido.
É óbvio que qualquer generalização é igualmente ignorante, mas também é fato que outros alguns parecem se deliciar com a oportunidade de mistificar um acidente geológico para criticar a crença alheia.
Enquanto a Terra existir, terremotos acontecerão. Eles não são o maior mal do planeta. O maior mal é a ignorância, pois ela é cruel, impiedosa, contamina as mentes incautas e promove o caos social.
Antes que sejamos vítimas desse caos, é bom que pensemos no Brasil, que rezemos pelo Brasil, pois o Haiti ainda não aqui...

Douglas Fersan
Janeiro de 2010