domingo, 14 de setembro de 2008

Na Umbanda tudo pode?

Provavelmente uma das grandes riquezas da Umbanda (juntamente com a sua diversidade) é a sua tradição, passada de geração a geração. Sabemos, no entanto, que a Umbanda não é estática, assim como não é o Plano Espiritual, portanto ela não está parada no tempo.
No entanto, em nome dessa diversidade e desse movimento a que muitos acreditam a Umbanda estar submetida, ela é constantemente alvo de novas teorias e/ou técnicas que tentam se inserir em sua liturgia.
Fitoterapia, apometria, cromoterapia, reiki e outras tantas técnicas são trazidas para o seio umbandista.
A pergunta é: Isso é legítimo?
O mesmo se dá com teorias que tentam explicar o surgimento da Umbanda. Existem aqueles que defendem a tese de que a Umbanda surgiu na Atlântida, na Lemúria e até mesmo aqueles que acreditam que seres do espaço foram os responsáveis pela criação do culto umbandista.
Para os mais tradicionalistas já é difícil aceitar o advento de Zélio de Moraes e do Caboclo das Sete Encruzilhadas como o marco inicial da Umbanda, imagine então as teorias acima.
Diante dessa miscelênia toda, surge outra pergunta: Na umbanda tudo pode?
Cabe à Umbanda aglutinar todas as técnicas e teorias sobre sua própria origem (mesmo que não haja qualquer comprovação científica ou mesmo espiritual para essas teses)?
Esse movimento que parece renovar a Umbanda não acabaria por descaracterizá-la?
Ou, contrapondo as questões acima, na tentativa de ser imparcial, seria tudo isso uma forma de tornar a Umbanda cada vez mais universalista e assim agregar os mais diversos segmentos religiosos e até esotéricos?
E, finalmente, tudo isso não seria uma forma de desprezar a tradição cultural brasileira, à qual a Umbanda está intimamente ligada e na qual encontra-se grande parte de suas raízes?
A última questão (e talvez a que mais me causa preocupação) é: até onde tudo será permitido dentro da Umbanda?
Até o momento em que ela deixar de ser Umbanda? Ou até que ela aglutine em si um contingente enorme de segmentos espiritualistas e esotéricos?
O tempo dirá.

6 comentários:

josé disse...

Excelente reflexão.
Eu acredito que existe uma perda da identidade da umbanda em função do "tudo pode".
Eu acho que o uso dessas técnicas como apometria e reik é por causa de uma espécie de migração que ocorre de outras correntes espiritualistas para dentro da umbanda. Mas a principal tarefa é dos dirigentes, na minha opinião. Eles fazem o papel de líderes e como zeladores não podem deixar que a umbanda perca a sua identidade. Por isso mesmo recebem o título de zeladores.

adriana disse...

Eu acho que reiki e apometria não fazem parte da umbanda, mas podem ser utilizados por ele, mas com parcimônia.
Já a fitoterapia é própria da umbanda. Será que a umbanda não é um tipo de avó da fitoterapia, porque a gente sabe do quanto é importante o uso de ervas dentro da umbanda.
Quero parabenizar o brilhante texto. Temos que refletir muito sobre a nossa querida umbanda para que ela seja cada vez mais respeitada.

moreira disse...

Não, não umbanda não pode tudo.
Mas infelizmente tem gente confundindo a diversidade com a libertinagem na umbanda. Novas linhas de umbanda são criadas todos os dias e tem gente que ainda defende a existências das mais absurdas linhas como se isso fosse uma verdade. Precisamos de dirigentes dignos e que vistam a camisa da umbanda
A umbanda é paz e amor.

jozely disse...

Nossa amei esse blog!
Muito necessário até porque sabemos que existem muitas pessoas passando informações erroneas e consequentemente denegrindo a imagem de uma religião tão linda.
Acho que tudo pode sim, pois entendo que Deus usa os caminhos que se abrem.Nós é que rotulamos, que descriminamos. Acho que o importante é se levar a ajuda. Acho que é isso que Deus espera de cada um de nós.

Viviane disse...

Oi gostaria de saber todos os meus orixás...
Sou filha de Iemanjá com Omulú...

val disse...

Boa noite !
Eu acho que o fato de alguns Centros de Umbanda utilizarem o Reiki apenas mostra que a Umbanda não parou no tempo.
Acho que o que não pode acontecer é a Umbanda perder a sua essencia, mas acrescentar conhecimentos só pode ser benéfico.
É apenas mais uma ferramenta.
Sou Umbandista, mas totalmente contra colocar todos os problemas para os Guias resolverem e muito menos justificar todos os problemas que o ser humano passa como espirituais.
Isso é muito comodo...
Temos que fazer a nossa parte também... e porque não evoluir, crescer, somar conhecimentos ???
Os Guias já tem tanto trabalho...