terça-feira, 16 de julho de 2013

O maior templo de Umbanda - por Douglas Fersan


Seu corpo é um templo divino. 

É onde habita seu espírito que tem, através dele, a oportunidade de evoluir.  

Da mesma forma que um templo religioso deve estar limpo, bem cuidado e livre de impurezas para que as manifestações espirituais nele ocorram da forma esperada e satisfatória, seu corpo deve estar devidamente higienizado para que sua caminhada espiritual (e também material) se dê de maneira positiva.

Conspurcar sua matéria com substâncias tóxicas (lícitas ou ilícitas), além de prejudicar a saúde física, abre brechas para que obsessores se aproximem e aprofundem cada vez mais seu organismo no vício e, obviamente, vícios tornam-se imensos obstáculos para a evolução moral e espiritual.

O tabagismo, o alcoolismo e o uso de substâncias ilícitas se tornam crostas de sujeira espiritual, criando um círculo vicioso entre o usuário encarnado e o obsessor espiritual, que se farta de toda essa imundície a fim de manter seu vício.  Assim, o encarnado emperra sua própria evolução e, por outro lado, ajuda a manter o obsessor perto de si , mantendo também o vício dele.  Enquanto isso, o obsessor, em sintonia com o encarnado, mantém com ele uma ligação psíquica, reforçando sua submissão em relação ao vício.

Todo vício é uma escravidão: comida, sexo, jogo, álcool, tabaco, maconha, cocaína, crack...  Porém alguns são mais agressivos ao corpo e à sociedade, por isso necessitam de cuidados maiores.

Provavelmente alguém dirá que na Umbanda se faz uso de tabaco e bebidas alcoólicas e que, portanto, não faz sentido uma página umbandista discorrer sobre o assunto.  Nesse aspecto vale lembrar que o uso dessas substâncias nos rituais de Umbanda são puramente ritualísticos, tendo como objetivo a defumação e a dispersão de energias indesejadas.  Justamente por isso não devem ocorrer exageros no uso do cigarro, charuto e bebidas durante as giras de Umbanda, já que os espíritos que ali se manifestam não são viciados e o corpo físico do médium deve ser respeitado e preservado.  Qualquer exagero cometido nos rituais caracteriza falta de doutrina, mistificação por parte do médium ou manifestação de espíritos que não são nossos mentores, e sim zombeteiros que se valem da situação para satisfazer seus vícios.

Seu corpo é o maior templo espiritual que existe.

Seu corpo é o maior templo de Umbanda que existe. E assim como você gosta de chegar ao seu terreiro e encontrá-lo limpo para os trabalhos, seus orixás também esperam isso de você em relação ao seu corpo, pois é nele que irão se manifestar, trabalhar, prestar a caridade e auxiliá-lo na sua evolução.  Em corpo maculado pelo vício, tomado por obsessores, dificilmente haverá manifestações de orixás e entidades de luz.
Cuide do seu corpo: é nele que você habita e seus orixás se manifestam.

Douglas Fersan
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terça-feira, 9 de julho de 2013

Ervas na Umbanda: Arruda - Por Douglas Fersan



Uma das ervas mais comuns na Umbanda. Seu uso é feito através da defumação e de banhos e as partes utilizadas são as folhas. Sua principal função é fazer a limpeza astral e afastar as energias negativas. É uma erva de Oxóssi, mas também muito utilizada pelos pretos velhos. Há quem diga que a arruda funciona como um "termômetro espiritual", ou seja, quando as energias do ambiente estão equilibradas, suas folhas e galhos se mantêm vivas e empinadas. Quando o ambiente está carregado de energias negativas, ela tende a absorvê-las, por isso fica murcha e pode secar. Trata-se de uma das chamadas "ervas quentes", ou seja, aquelas que têm a propriedade de realizar limpezas energéticas mais pesadas.

Douglas Fersan
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terça-feira, 2 de julho de 2013

Ervas na Umbanda - Espada de São Jorge - por Douglas Fersan


A espada de São Jorge (ou espada de Ogum) possui a propriedade de neutralizar energias negativas nos ambientes, justamente por isso está sempre presente nos terreiros de Umbanda e nas casas dos umbandistas.  De origem africana, é altamente resistente ao sol, ao calor e à fata de água. É muito usada pelas entidades para dar passes nos consulentes e também, embora em menor proporção, em banhos. O simples fato de ter um vaso com espada de São Jorge já ajuda a afastar e neutralizar energias indesejadas. Nome científico: Sansevieria Zeylanica Willd.

Douglas Fersan
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terça-feira, 18 de junho de 2013

Falsos Profetas - por Douglas Fersan


Não se trata aqui de falar nada contra qualquer religião. Certamente a maioria delas possui uma doutrina de fé, amor, caridade e respeito.  O foco são os sacerdotes que se apropriam dessas doutrinas, a corrompem e, a fim de atender seus próprios interesses (geralmente financeiros), transformam aquilo que poderia ser um fator de crescimento moral para a humanidade em política de terror e intolerância.

Já se passou mais de uma década desde que o pastor de uma conhecida igreja chutou, em rede nacional, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, um dos maiores ícones católicos do Brasil.  Esse ato não mostrou apenas o seu desprezo pela santa, mas também o quanto esses "profetas do terror" podem ir longe.  Foi um desrespeito ao povo brasileiro como um todo, inclusive àqueles não cultuam a referida santa, pois foi uma demonstração de que podem, a qualquer momento, se voltar contra as demais religiões (fato que já vem acontecendo, basta observar os constantes ataques a terreiros de Umbanda e Candomblé).

No que tange à legislação, o Brasil é um país avançado (essa informação pode causar espanto, mas é verdadeira).  Nossa Constituição é uma das mais democráticas do mundo e, para que assim se caracterize, é preciso que tenha leis que amparem todos os segmentos étnicos, religiosos, sociais e de gênero.  E assim é nosso Constituição.  As leis existem, no entanto nem sempre elas são praticadas.  Essa impunidade acaba servindo de incentivo para que a intolerância seja pratica à luz do dia.

Recentemente o pastor Marco Feliciano foi indicado para ocupar o cargo mais importante da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.  Tal indicação causou repúdio, já que o deputado-pastor foi protagonista de diversas manifestações de intolerância religiosa, racial e homofóbica.  Apesar das manifestações de repúdio nacional, ele continua ocupando a cadeira.

Esses profetas do terror continuam por aí e não pertencem somente a um segmento religioso. Todo aquele que adquire posições fundamentalistas em suas pregações requer cuidados (seja um sacerdote católico, protestante, de cultos afro-descendentes), todos devem ser vistos com muito cuidado, pois geralmente são carismáticos (Hitler também o era perante o povo alemão), falam exatamente aquilo que a população mais sofrida precisa ouvir (novamente podem ser comparados com Hitler, que soube enfiar o dedo na ferida do povo alemão) e não possuem limites para conquistar aquilo que almejam (será necessário fazer mais uma comparação?).

Para consolidar sua força, esses "profetas" não poupam esforços em denegrir as religiões alheias. Seu discurso intolerante é a base da sua política e seus seguidores, cegos, surdos e hipnotizados, se transformam em um verdadeiro exército da intolerância.

É preciso orientar as pessoas, independente da religião. Não falo de uma religião específica e sim às religiões em geral, falo de alertar para o perigo oculto e muitas vezes subestimado que esses mercadores da fé trazem à vida social pacífica.

Douglas Fersan

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terça-feira, 4 de junho de 2013

Crianças e Umbanda, como agir? - por Douglas Fersan


Salve nosso pai Ogum.

Como tento fazer sempre, procuro uma imagem do orixá do dia para colocar, junto com uma mensagem, em nossa página do facebook.  Pesquisando no Google encontrei essa imagem infantilizada de Ogum (desconheço o autor), que achei muito bonita e interessante, justamente pelo seu aspecto de criança.

No entanto, a imagem me remeteu a pensamentos mais profundos e antigos.  Já há muito tempo venho pensando na relação entre a Umbanda e as crianças, filhos de umbandistas.  Como pedagogo e pai, essa questão me traz uma certa preocupação.

Como devem se portar as crianças filhas de umbandistas perante as outras crianças, especialmente na escola, espaço que deveria ser de construção e compartilhamento de conhecimentos, mas sabemos que também é um espaço onde os preconceitos se manifestam e um fenômeno antigo, porém nomeado há pouco tempo (o bullying) ocorre com tanta frequência.

Como será tratada uma criança ao responder que sua religião (ou a de sua família) é a Umbanda?  Qual será a reação dos professores e das outras crianças?

Numa reunião de pais da escola do meu filho fomos comunicados que as crianças visitariam o Museu Afro-Brasileiro no Ibirapuera, mas a professora rapidamente tratou de tranquilizar a todos "fiquem calmos, pois não visitaremos a parte do museu que trata de Umbanda e Candomblé".  Uma pena, pois estão furtando dessas crianças a oportunidade de conhecer algo rico e novo para a maioria deles.  Foi-lhes subtraída uma oportunidade, sorte que meu filho já conhece essa parte do museu.

Até entendo o compromisso da laicidade das escolas, mas tenho certeza que a maioria delas visitaria sem qualquer pudor o Museu de Arte Sacra (passeio que também recomendo).

Acredito que nós, umbandistas, temos que preparar nossos filhos para a vida (como pais de qualquer outro segmento religioso), mas temos que prepará-los também para enfrentar a intolerância e, mais ainda, para fazer isso de cabeça erguida.

Temos que, aos poucos, de acordo com a sua capacidade de compreender as coisas (reporto-me aqui a Vygotsky e à zona de desenvolvimento proximal - conceitos da pedagogia e da psicologia) ensinar-lhe quem são os orixás e as entidades, porque se manifestam, explicar o que o é a Umbanda, sua raiz histórica, mostrar que o maniqueísmo e a demonização com nossas entidades são fruto de puro folclore e senso comum... enfim, temos que dar aos nossos filhos a capacidade de se defender do preconceito, dando-lhes argumento. Não podemos tapar o sol com a peneira e protelar a situação, deixando comodamente que eles entendam isso apenas quando estiverem mais velhos.  O preconceito começa desde muito cedo: voltando a falar do meu filho, outro dia ele chegou em casa dizendo que um coleguinha da escola ficou dizendo que isso ou aquilo era coisa do diabo.  Percebi que pequei em não lhe fornecer subsídios para argumentar.

Não se trata de querer decidir qual religião a criança deverá seguir para o resto da vida.  Ao atingir a maturidade ela seguirá seus próprios rumos, talvez permaneça na Umbanda, talvez não.  Mas enquanto é pequena, geralmente acompanha os pais e precisa saber onde está e o que fazem ali dentro, para que não seja vítima do desconhecimento que seus pais lhe impuseram.

Não tenho uma receita pronta, nunca consegui imaginar algo no sentido de catequese umbandista (até porque o termo "catequese" reporta a ideias autoritárias, de impor crenças através do medo), mas me preocupa muito não prepararmos nossas crianças. Talvez seja momento de pensarmos em cartilhas simplificadas, coisas realmente lúdicas, sem a função de converter, mas de informar e proteger nossos filhos, pois não adianta tapar o sol com a peneira: o número de religiões que pregam a intolerância cresce a cada dia e não quero que meu filho seja vítima disso.  Você que é pai ou mãe pense nisso também.  Vamos compartilhar ideias.

Douglas Fersan
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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Fanatismo: um mal que atinge todas as religiões - por Douglas Fersan


Há quem pense que o fanatismo religioso é uma característica apenas das igrejas pentecostais ou de muçulmanos fundamentalistas.  Mero engano, mero senso comum - além de preconceito, é claro.

O fanatismo está presente em todas as religiões, pois é um sentimento humano e não uma prerrogativa litúrgica.  As religiões não ensinam os fiéis a serem fanáticos, nem exigem isso deles, mas a fraqueza de suas opiniões, bem como a suscetibilidade para absorver ideias alheias, os faz vítimas fáceis da manipulação mental e, principalmente, da auto-sugestão.

Como já disse antes, fanatismo existe em todas as religiões. E na Umbanda não é diferente.  Há quem diga que a Umbanda é uma religião que prima pela racionalidade e que, portanto, isso não deveria acontecer.  Mais uma vez o engano. Religiões não primam pela racionalidade, primam pela fé e essa pode facilmente ser corrompida.

Quantos irmão da Umbanda, que se julgam conhecedores de todos os mistérios não são, na realidade, fanáticos que a tudo atribuem ação dos espíritos?

A muitos basta pegar um resfriado para achar que foi vítima de demanda.

Basta um copo cair e quebrar para achar que Exu Mirim está fazendo traquinagem.

Outros sonham com um gato preto e correm telefonar para o seu pai-de-santo para que ele interprete o sonho, como se o bichano fosse realmente sinal de mau agouro, e não vítima potencial da crendice popular. Tenho pena dos pais-de-santo nessas horas...

E ainda se diz dono de uma fé imensa.  Ao contrário disso, se tivesse tanta certeza assim em sua fé, não se acharia vítima fácil de demandas, espíritos, energias pesadas.  Teria consciência de que na vida estamos todos sujeitos a momentos bons e ruins, bem como existe a lei do merecimento e os espíritos, na maioria das vezes, tem muito mais o que fazer do que se divertir às nossas custas.

É preciso ter fé, e é preciso que ela seja forte e inabalável, mas tanto quanto isso é preciso que ela não seja alienante, canso contrário ela fara de você um ser irracional, intransigente, chato, desagradável e vítima de si mesmo.

Tenha fé, mas seja racional.

Douglas Fersan
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quinta-feira, 2 de maio de 2013

O aprendizado é eterno - por Douglas Fersan



Importante lição para todos os filhos-de-fé: paciência e resignação.

Muitas vezes os filhos mais novos encontram-se diante de alguns dilemas: questionam se estão no caminho correto, por ter consciência de seus atos durante a incorporação acham não estão se desenvolvendo corretamente, às vezes percebem que outros filhos, mais novos, apresentam um desenvolvimento mais rápido...

A resposta para todas essas questões é sempre a mesma: paciência e resignação.

Cada um tem seu tempo.  Somos indivíduos unos (perdoem a redundância), portanto cada qual apresenta um desenvolvimento diferente em tempo diferente.  Guardar lembranças, ter mediunidade consciente, a entidade demorar a falar ou riscar ponto, tudo é uma questão de aprendizado, de doutrinar a si mesmo, de estabelecer sintonias.  Nada disso significa que novo médium está no caminho errado, ao contrário disso.  Errado seria colocar o carro na frente dos bois - ou melhor: colocar-se à frente das entidades e aí sim, fazer tudo errado.

Dentro de uma casa de Umbanda todos, desde o pai-de-santo até o consulente, estão em constante aprendizado, subindo um degrau por vez na longa caminhada da evolução.

Salve todos os novos médiuns, os novos filhos de fé, que persistem nas provações que o aprendizado impõe.  Serão bons médiuns no futuro, na gratificante tarefa de prestar a caridade.

Douglas Fersan
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