quinta-feira, 10 de março de 2016

Viva a raiz africana, seus galhos, folhas e frutos - Douglas Fersan




Viva a África, raiz de nossas crenças e mãe de nossas tradições.

Somos fruto de uma miscigenação, mas constantemente caímos no erro de acreditar que ao longo da história da construção do Brasil e de sua identidade cultural, a África ficou restrita ao cruel papel de fornecedora de mão-de-obra escrava. Esquecemos (e os livros de história esquecem, tão focados na cultura europeia) que a África forneceu mais do que escravos. Junto com eles chegou ao Brasil uma imensa carga cultural que construiu a identidade do povo brasileiro, tão presente no nosso cotidiano.

Somos africanistas, pois todos os dias, na maioria das vezes sem perceber, repetimos na linguagem, na crença, na alimentação, hábitos que os nossos ancestrais trouxeram e perpetuaram a duras penas.

E foi a duras penas que conseguiram manter viva a chama de sua fé, que ainda hoje lutamos para manter acesa, apesar de tanto desconhecimento e perseguição.

Pagar a dívida contraída com o continente africano é uma tarefa praticamente impossível. O que podemos fazer é agradecer e reconhecer a imensa contribuição cultural e espiritual que herdamos. Salve a mãe África, suas raízes, galhos, folhas e frutos.


Douglas Fersan

quarta-feira, 9 de março de 2016

A Umbanda não presta e eu sou crente - por Fábio Verch




A UMBANDA NÃO PRESTA E EU SOU CRENTE

"Com o passar do tempo, fui me aprofundando cada vez mais nos estudos e aprendendo mais sobre a Umbanda. Aprendi duas coisas: A Umbanda não presta e eu sou crente.

Nos últimos dez anos, aprendi que a Umbanda não presta para pessoas que não têm caráter. Não presta para pessoas que vivem da religião, e não para a religião. Não presta para aqueles que usam o nome de Deus em vão. Não presta para aqueles que vivem de ilusão, para aqueles que buscam uma vida fácil e sem nenhum sacrifício.


A Umbanda realmente não presta para aqueles que não têm amor ao próximo, que não buscam a caridade como meio de se elevar ao nosso grande Pai. A Umbanda não presta para aqueles que não buscam estudar e se aprimorar como ferramentas para que seus guias encontrem caminhos de se manifestarem. A Umbanda não presta para aqueles que não entendem a simplicidade de um Preto-Velho, a humildade de um Caboclo e a pureza de uma criança.

A Umbanda não presta para aqueles que não se arrepiam com o som do atabaque vibrando no peito, não sentem o perfume da defumação, o significado da pemba e a simbologia das imagens. A Umbanda não presta para quem não tem fé.

Aprendi também que ser crente, por definição do dicionário é: “1. Que, ou pessoa que tem fé religiosa; 2. Sectário ou sectária de uma religião; 3. Que, ou pessoa que acredita”. Assim sendo, sou crente, pois acredito, creio e confio nessa Religião pela qual, a cada dia, eu me apaixono mais.

Sou crente nos Orixás, sou crente nos Pretos-Velhos. Sou crente que um dia nossa Umbanda possa ter mais filhos do que afilhados. Mais bandeiras espalhadas pelo mundo. Mais Caboclos gritando e atirando flechas para o alto.

Sou crente naquilo que faz meu coração querer bater mais alto que o atabaque. Sou crente na Umbanda. Sou Umbandista, graças a Deus!"

Por: Fábio Verch

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Objetos sagrados e fetiches - por Douglas Fersan


Objetos sagrados são diferentes de enfeites que apenas engrandecem a vaidade humana.
Ao entrar num terreiro de Umbanda, as pessoas que não conhecem a fundo a religião se deparam com uma série de coisas que lhes causam deslumbramento. Talvez a principal delas sejam as guias. Acontece então da pessoa decidir entrar para a gira de Umbanda. Imediatamente quer providenciar guias, pois carregam a ilusão de que quanto mais guias o médium carrega no pescoço, mais poderoso ele é. Mero engano, mera vaidade, mera futilidade, grande desconhecimento.
As guias são objetos sagrados, resultado do merecimento e da caminhada espiritual do médium dentro da estrada umbandista. Mas poucos atentam a isso. Rapidamente providenciam uma guia, geralmente a de sete linhas, comprada pronta numa loja de artigos religiosos, e a ostentam como se fosse um troféu espiritual. Logo ficam insatisfeitos, pois notam que outros médiuns (muitos com anos de experiência) carregam outras guias... providenciam mais e mais. Logo chega o momento em que se pescoço parece um cabide e já estão ficando até corcundas de carregar o peso de tantas guias. E que valor espiritual elas possuem? Nenhum, são meros fetiches.
As guias representam um elo entre os orixás/entidades com seus médiuns e para que tenham força energética e espiritual passam por todo um processo de feitio e consagração. Mas o vaidoso pouco se importa com isso (e não se importa também com os ensinamentos do dirigente e das entidades da casa) e sem perceber aos poucos vão se tornando apenas um ser fantasiado de umbandista, pois o verdadeiro médium não necessita dessa ostentação, necessita sim de seriedade com o elo estabelecido com a espiritualidade e isso dispensa qualquer fetiche.
Daí para esse pseudo-médium passar a mistificar (e acreditar na própria mistificação) é apenas uma questão de tempo, pois o seu compromisso não é com a espiritualidade, é com o seu ego. Seu objetivo não é praticar a caridade e evoluir, é tentar promover espetáculo. E ele se torna apenas um número dentro do terreiro: alguém que apenas está presente fisicamente, mas cuja espiritualidade está estagnada.
O bom médium muitas e muitas vezes nem necessita de uma guia para trabalhar verdadeiramente.
E atire a primeira conta de porcelana e cristal quem nunca presenciou uma situação semelhante.


Douglas Fersan





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domingo, 21 de fevereiro de 2016

A força da simplicidade - por Douglas Fersan



Não preciso de templos suntuosos, preciso do ar fresco, da chuva, do sol e do vento.
Não preciso de imagens de gesso, marfim ou mármore, preciso da real presença divina na minha vida.
Não preciso de dúzias de velas, preciso apenas manter acesa a chama.
Não preciso de líderes nem de seguidores, preciso ser ético.
Não preciso expor bons sentimentos, preciso possuí-los.
Não preciso de gritos de louvores, preciso que minha prece seja silenciosa e sincera.
Não preciso dar ou ouvir explicações, preciso ter a consciência tranquila e confiar naqueles que me rodeiam.
Não preciso de nada que não me seja essencial, não preciso de luxo, não preciso de rituais extravagantes. Basta minha fé.
E minha fé não precisa de holofotes, púlpitos ou altares. Ela precisa de simplicidade, pois é na simplicidade do ar fresco, da chuva, do sol, do vento, das ervas, da oração silenciosa e da sinceridade com que a exerço é que ganha força.
Minha fé dispensa riquezas, ela se faz forte naquilo que Deus proporciona a qualquer um dos seus filhos, desde o mais rico até ao mais simplório. A força da fé reside na simplicidade e ela está à disposição de qualquer um de nós, basta saber apanhar o que de tão rico e ao mesmo tempo tão simples paira no ar.

Douglas Fersan
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Um pedido fora do normal - Marcelo A. Santos Sansete




Um Pedido Fora do Normal!!!

Normalmente nós pedimos
pelos que sofrem,
pelos que choram,
pelos que passam fome,
oramos pelos doentes
e rogamos pelos infelizes.


Hoje vamos inverter
a ordem e vamos dizer:

Pai Oxalá,
não te suplicamos
pelos desesperados,
nós te pedimos
por aqueles que
promovem o desespero.

Não te rogamos
pelos que choram,
mas pelos infelizes
que são responsáveis
pelas lágrimas.

Não te rogamos ajuda
aos que passam fome,
mas pelos abastados
que são fomentadores
da miséria sócio-econômica.

Não pedimos
em favor dos enfermos,
mas nós intercedemos
pelos que jogam fora a saúde
e os que são impiedosos
para com os doentes.

Não estamos aqui
pedindo pelos perseguidos,
pelos caluniados,
mas estamos interferindo
pelos perseguidores,
pelos caluniadores,
pelos impiedosos.

Eles sim,
são verdadeiramente
os infelizes
por que perderam
o endereço de Zambi
e o contato com a consciência.

Apieda-te Pai Oxalá,
dos fomentadores
da discórdia
e consola os que
estão chorando
no teu regaço,
procurando a Tua paz,
e em Teu próprio
nome de Amor,
abençoa esta casa
e os que aqui habitam,
os que aqui buscam auxilio,
os que pretendem ir adiante,
os que se entregam
em regime de silêncio
e abnegação,
para que
nas suas vozes caladas,
possamos todos nós
ouvir a Tua voz,
ao invés
dos que fazem tumulto
para apagar
a mensagem da Tua palavra.

Pai Oxalá fica conosco
e dá-nos a Tua paz!

Que assim seja hoje e sempre com as sublimes vibrações do nosso
Amado Pai Oxalá!!!

Texto de Marcelo A. Santos Sansete

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Sete ervas, sete sentimentos - por Douglas Fersan


É muito comum, especialmente entre os espiritualistas, cultivar um vaso de sete ervas (espada de São Jorge, comigo-ninguém-pode, manjericão, alecrim, guiné, pimenta e arruda) a fim de obter proteção espiritual. O poder das ervas nesse campo é inegável, no entanto de nada adianta ter o seu vaso de sete ervas se você cultivar em seu espírito sete sentimentos e hábitos:
1. Rancor
2. Maledicência/mentira/fofoca
3. Inveja
4. Arrogância/falta de humildade/vaidade
5. Descrença/falta de fé
6. Maldade/falta de compaixão
7. Hipocricia/falsidade


Se cultivar esses sentimentos em sua alma, as ervas do seu vaso secarão - e não adiantará dizer que isso aconteceu porque alguém lhe desejou mal (ninguém pode nos fazer maior mal do que nós mesmos). Paralelo a isso corre o risco de secar a sua espiritualidade também. Cultive ervas, mas cultive também o que há de melhor em si.


Douglas Fersan
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Antes de entrar para a Umbanda...




Certas coisas deviam ser desnecessárias dizer, mas antes de entrar para a Umbanda, é preciso saber que:

1. O filho é quem procura o pai;

2. hierarquia existe (respeite);

3. respeito é a base da religião (se você não respeita a hierarquia, seus irmãos, seu templo e rituais, procure outra religião);

4. ninguém sabe de tudo (tenha humildade para aprender e generosidade para ensinar);

5. tradição não se muda (quando você entrou nessa casa, ela já tinha suas tradições, tenha respeito por elas e não tente interferir em seus rituais);

6. humildade não é humilhação (na verdade humildade é sinal de inteligência);

7. caridade não se cobra, mas se reconhece (quer pagar pelo bem que recebeu, seja grato);

8. você não é o centro do mundo (saiba ser discreto, ocupar seu devido lugar e só interferir naquilo que lhe compete - tenha paciência, com a sua humildade e respeito você será reconhecido e passará a desempenhar novos papéis dentro dos rituais).