Quando o sagrado se manifesta os ventos abrandam, o sol amorna, as nuvens clareiam e os trovões tornam-se mansos.
A presença dos orixás em terra é sinal do sagrado se aproximando de nós, profanos, mortais. É a manifestação do divino em nosso plano. É a alta espiritualidade, em sua sua mais pura forma humildemente pisando em solo hostil e impuro É a oportunidade que Olorum, Criador supremo do Universo, nos dá de nos aproximarmos d'Ele, de termos contato com sua centelha divina e de redimirmos parte de nossas imperfeições.
Presenciar a manifestação do orixá em terra é testemunhar mais de uma história: a história de uma crença, uma história mítica, que porém conta nossa ancestralidade, e também a história da construção da identidade do nosso povo.
Ver um orixá dançar ao som de Rum, Rumpi e Lê é ter o privilégio da visão do divino. Ajoelho diante do orixá, porque Ele é a partícula de Deus que Ele me permite ver. Silencio diante de sua presença, pois como diz a saudação ao Senhor da Terra em iorubá: "Atotô", ou seja: "silêncio", pois os orixás estão em terra.
Douglas Fersan
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sexta-feira, 29 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
Poema a Omolu - Tania Mara Camargo
Da terra tudo renasce.
Germinam as sementes, crescem os campos.
Mãe que ampara as águas da chuva para o ciclo incessante dos rios continuarem.
Terra que zela para a vida humana prosseguir.
Guardiã de nossos ancestrais, fonte de nossa ascendência.
Terra pura de onde vem a cura para tantos males físicos e espirituais.
Terra nova a cada estação: seca, úmida, molhada, fertilizada - Plataforma de meus pés, meu chão.
Solo verde de arvoreados que nos traz a madeira, as palhas...
Aquela que se doa totalmente, que nos devolve renovado tudo que foi utilizado.
Mas não nos deixa ver seus olhos jamais!
Tania Mara Camargo.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Um grito de liberdade? A corrente se quebrou? - por Douglas Fersan
Para refletir:
Um grito de liberdade e a corrente se quebrou.
Saravá todos os pretos velhos.
Saravá zumbi dos palmares.
Saravá santa Isabel...
Comemoramos hoje, 13 de maio, o dia dos pretos velhos, entidades maravilhosas dos nossos cultos. Porém sabemos que existe uma aura de romantismo em torno do assunto quando se fala em abolição. Sabemos que não foi um ato de bondade, foi movido por interesses econômicos e políticos. E a princesa, tida como a grande redentora, não era santa.
Mas o principal: o que mudou para os negros após a libertação? Houve uma política que possibilitasse a igualdade social entre brancos e negros ou continuaram sendo tratados como população subalterna?
Em homenagem aos nossos queridos pretos velhos acho que devemos hoje não só fazer nossas preces, mas também refletir sobre essas questões.
Douglas Fersan
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segunda-feira, 11 de maio de 2015
Vamos comemorar a vitória dos guerreiros do Lar de Preto Velho - Douglas Fersan
Curta o Lar de Preto Velho, pois somos uma casa de raiz. Já enfrentamos vários tipos de mazelas, desde a falta de um lugar pra trabalhar, a torcida daqueles que nos queriam derrubar (pelo simples fato de sermos um mísero pontinho de luz no Universo).
Enfrentamos línguas venenosas, traições, falas maledicentes, intolerância religiosa (até polícia chamaram para tentar evitar nossos cultos - e a polícia defendeu nosso direito constitucional). Mesmo diante de tantas pessoas maldosas e de tanta negatividade que cruzou nossas vidas, só crescemos em número e qualidade.
Nessa semana, em agradecimento a tudo o que superamos e conquistamos, ofereceremos gratuitamente a todo o público que nos procurar, um almoço (feijoada) em homenagem aos nossos queridos mentores, os pretos velhos, que não pouparam esforços em nos proteger.
Adorei as almas. Salve a Umbanda.
Salve todos aqueles que têm Deus em seu coração e que só usam suas palavras para construir coisas boas, livres de do mal que a língua profere e do egoísmo que prende o espírito.
Sejamos abnegados e sábios como os pretos velhos.
Douglas Fersan
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segunda-feira, 27 de abril de 2015
Um conto de Omolu - por Douglas Fersan
Dizem que o velho Omolu caminhava indiferente a tudo. Passos lentos, típico dos idosos, andar trôpego... Não ouvia quando as pessoas o chamavam para um simples cumprimento. Outros, vendo um velhinho tão simpático, lhe chamavam apenas para cumprimentar, mas ele seguia indiferente.
_Deve estar surdinho - diziam alguns, atribuindo a indiferença à idade.
Omolu não estava surdo, tampouco era mal educado. Apenas tinha adquirido o ouvido seletivo que a idade lhe permitia. Sabia que não tinha tempo a perder. Em pensamento abençoava cada um que o chamava, mas não queria gastar seu tempo com amenidades. Sabia que coisas mais importantes o esperavam lá na frente. Mas preferia permanecer em silêncio e oração.
Omolu passou a ser mal visto por alguns.
_É um velho antipático - diziam - não responde a um simples cumprimento.
Não... Omolu apenas sabia que tinha que continuar caminhando.
E assim foi... caminhou até que encontrou uma casa pobre, uma cabana coberta de de palha - muito parecida com as palhas que lhe serviam de roupa.
Sem muitos rodeios entrou na cabana. Ali encontrou uma criança doente, com febre alta, pústulas pelo corpo. As feridas eram tão fétidas que até os pais, mesmo amando imensamente a criança, tinham receio de tocá-las.
O velho Omolu nada disse. Apenas continuou sussurrando sua prece. E passou sua mão trêmula sobre o corpo doente da pobre criança.
Imediatamente a febre sumiu e as feridas começaram a estourar: haviam virado pipoca, e saltava de um lado para outro, de forma tão inesperada que a criança que se encontrava doente até sorriu.
Sem dizer mais nada, o velho Omolu se levantou e saiu da cabana, continuando sua caminhada lentamente e em silêncio, apenas balbuciando sua prece.
Os poucos que presenciaram a história compreenderam e espalharam a história. As pessoas não criticaram mais Omolu e, ao contrário disso, passaram a respeitar seu silêncio.
Agora, sempre que Omolu passava, em respeito as pessoas diziam: "Atotô"!!! - que significa "silêncio, ele está na terra".
Douglas Fersan
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_Deve estar surdinho - diziam alguns, atribuindo a indiferença à idade.
Omolu não estava surdo, tampouco era mal educado. Apenas tinha adquirido o ouvido seletivo que a idade lhe permitia. Sabia que não tinha tempo a perder. Em pensamento abençoava cada um que o chamava, mas não queria gastar seu tempo com amenidades. Sabia que coisas mais importantes o esperavam lá na frente. Mas preferia permanecer em silêncio e oração.
Omolu passou a ser mal visto por alguns.
_É um velho antipático - diziam - não responde a um simples cumprimento.
Não... Omolu apenas sabia que tinha que continuar caminhando.
E assim foi... caminhou até que encontrou uma casa pobre, uma cabana coberta de de palha - muito parecida com as palhas que lhe serviam de roupa.
Sem muitos rodeios entrou na cabana. Ali encontrou uma criança doente, com febre alta, pústulas pelo corpo. As feridas eram tão fétidas que até os pais, mesmo amando imensamente a criança, tinham receio de tocá-las.
O velho Omolu nada disse. Apenas continuou sussurrando sua prece. E passou sua mão trêmula sobre o corpo doente da pobre criança.
Imediatamente a febre sumiu e as feridas começaram a estourar: haviam virado pipoca, e saltava de um lado para outro, de forma tão inesperada que a criança que se encontrava doente até sorriu.
Sem dizer mais nada, o velho Omolu se levantou e saiu da cabana, continuando sua caminhada lentamente e em silêncio, apenas balbuciando sua prece.
Os poucos que presenciaram a história compreenderam e espalharam a história. As pessoas não criticaram mais Omolu e, ao contrário disso, passaram a respeitar seu silêncio.
Agora, sempre que Omolu passava, em respeito as pessoas diziam: "Atotô"!!! - que significa "silêncio, ele está na terra".
Douglas Fersan
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sexta-feira, 24 de abril de 2015
Coração peludo - Douglas Fersan
Um dia você chega a uma casa de Umbanda cheio de problemas.
Vive à base de remédios, frequenta consultórios médicos, especialmente os psiquiátricos, com frequência. Por mais que os médicos tentem e tenham boa vontade, não conseguem diagnosticar a causa dos seus males. Não dorme direito à noite e passa o dia sonolento, reclamando de tudo e todos. Não consegue se concentrar no trabalho.
Em casa nada parece estar em harmonia. Desentendimentos conjugais, falta de paciência e de diálogo... desconfianças descabidas surgem e, por mais absurdas que sejam, assumem proporções gigantescas. Você sabe que os outros são tão inocentes quanto você, mas não consegue perdoá-los e nem estabelecer uma conversa harmônica.
Mesmo os seus desejos mais simples não se realizam. Desde aqueles desejos materiais (qual o problema, quem não os têm?), até aqueles de realização pessoal parecem sonhos distantes, irrealizáveis. Você se desespera, busca soluções nos mais variados lugares e não encontra respostas.
Até que um dia conversa com alguém e através dessa pessoa você chega a uma casa de Umbanda.
Ali é recebido, acolhido e ouvido. Nada lhe é cobrado e você não é submetido a julgamentos. Ninguém lhe aponta o dedo, apenas ajudam a solucionar seus problemas. Os orixás e entidades que ali trabalham mobilizam seus esforços e seu axé e vão em busca da raiz do seu sofrimento. Logo fica claro que seu corpo não padecia de males físicos, sua insônia não era simples estresse, os remédios eram desnecessários e a desarmonia no lar era causada pela presença de energia e seres invisíveis indesejados.
Você é tratado. E mais que isso, descobre que tem a capacidade de ajudar outras pessoas. Recebe o axé da casa. Os frequentadores da casa se tornam seus irmãos-de-fé no sentido mais amplo da palavra. Sofrem com suas dores, comemoram suas alegrias, partilham dos seus problemas e se unem para lhe ajudar a encontrar soluções. Os dirigentes apostam na capacidade de ajudar, no seu bom caráter e na sua humildade e na sua disposição para ouvir e entender os demais, afinal já passou por isso. Apostando na sua pessoa, os dirigentes lhe ensinam o que sabem, compartilham o axé da casa com você, pois acreditam que você será mais um soldado a lutar pelo bem dos necessitados e desvalidos. Você encontrou o alento que procurava, mas como todo mundo, vez ou outra tem um problema, e sempre que isso acontece, procura os dirigentes e os mentores da casa e é sempre escutado e amparado por eles.
E assim passa algum tempo. Você aprende muita coisa, mas esquece de algo muito importante: o aprendizado é eterno e nunca é suficiente. Chega o momento em que você acha que o seu aprendizado já é tão grande ou maior do que o daqueles que lhe ampararam (não só dos dirigentes encarnados, mas dos próprios orixás e entidades). Seus problemas de saúde foram sanados, mas a sua memória enfraqueceu. Você esquece o estado em que chegou no dia em que colocou pela primeira vez os pés nessa casa de Umbanda. Esquece a forma carinhosa com que foi recebido. Esquece os ensinamentos, especialmente os de humildade, que lhe deram. Esquece que o axé pertence aos orixás e não a você.
Então, numa atitude de total ingratidão, passa a apunhalar pelas costas os irmãos que lhe acolheram. Critica, fala mal, aponta o dedo. Cria tumultos, tenta desarmonizar o ambiente que lhe deu alento. Um dia anuncia resolve deixar a casa... problema seu: você era livre quando decidiu entrar, que seja livre para sair e que seja sempre muito feliz. Mas você não fica contente em simplesmente sair. Usa dos mais diversos meio – especialmente dos pouco éticos – para lançar farpas contra aqueles que um dia acolheu.
Felizmente seus problemas parecem estar resolvidos. Tomara que você e os seus continuem bem, certamente aqueles a quem você chamava de irmãos torcem verdadeiramente por isso. Já o seu coração pode estar com problemas. Aquele coração que um dia chegou sofrido, hoje está “peludo”, feio, cheio de piolhos e sujeira... sujeira que você mesmo criou.
O axé que você recebeu é verdadeiro. Verdadeira não foi a sua fé e a sua gratidão e nem o seu respeito. E o seu respeito (ou a falta dele) traduzem o que você e porque sofre tanto. A sua falta de gratidão e de respeito ao axé que recebeu revelam a mediocridade de seu caráter, a falta de preparo que você tem para exercer a mediunidade e o quanto ainda tem que ser ajudado para que possa realmente ajudar alguém.
Aliás, falando nisso, seus antigos irmãos rezam para que você continue sendo ajudado... mesmo sem sofrer, pois não é só quando a água bate no traseiro que precisamos de ajuda. Precisamos dela justamente quando nossa empáfia não nos permite notar que o traseiro está sujo e o coração peludo.
Douglas Fersan
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quarta-feira, 22 de abril de 2015
Umbanda, hospital da alma, segurança do lar - Douglas Fersan
Cercas elétricas, grades nas janelas, ferrolhos nas portas. Tudo isso nos protege dos perigos que a vida mundana nos oferece. Nosso lar deve estar resguardado contra os riscos que viver em sociedade nos impõe.
Mas não são apenas os perigos materiais que existe a nos cercar. Os inimigos invisíveis estão aí e estão atentos às nossas fragilidades. Pensamentos, palavras e ações negativas atraem energias e seres espirituais semelhantes. E nesse caso de nada valem as correntes, as cercas elétricas e as grades nas janelas. Para esses inimigos isso não representa obstáculo.
A melhor defesa contra esses ataques é manter a fé e o pensamento positivo alertas. É não se deixar dominar por pensamentos e atitudes mesquinhas e negativas. É alimentar o espírito com a vitamina que o mantém forte e imune a essas "bactérias astrais".
Mas nem sempre conseguimos manter essa postura. Precisamos então de ajuda espiritual. Isolar-se em casa não vai ajudar, pois mesmo com portas e janelas fechadas, os inimigos astrais, os obsessores e trevosos, terão acesso ao seu lar, a você e à sua família. É preciso um tratamento.
Procure então um hospital. Mas não um hospital comum, com antibióticos, estetoscópios e aparelhos de tomografia. Busque um hospital que lhe dê o remédio para a alma, que escute (sem o uso de aparelhos) os seus anseios e veja o seu interior de forma pura e sem tecer julgamentos.
Uma casa séria de Umbanda (não se esqueça que a casa deve ser séria) é um hospital da alma... é eficiente, vai direto ao problema, não marca a sua consulta para daqui a meses, não faz distinção entre ricos e pobres e não cobra pelo seu tratamento. Basta você fazer sua parte: seguir o tratamento indicado, ter fé, deixar que os orixás e mentores usem sua força e sabedoria para lhe ajudar, fazer a sua auto-medicação (nesse caso, a reforma íntima) e aprender com erro. Aprender que da mesma forma que cuida da segurança física da sua casa, que cuida da sobrevivência do seu corpo carnal, deve cuidar também do espírito, para que você, como um todo (mente, carne e espírito) tenham uma armadura e sua casa se torne uma verdadeira fortaleza, totalmente protegida contra os bandidos astrais que se aproveitam da fragilidade alheia.
Cuide-se... você, sua família e seu lar merecem.
Douglas Fersan
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